Preços de genéricos variam até 951%

Marcelo Moreira

01 de novembro de 2011 | 07h15

Suzane G. Frutuoso

A diferença de preço de um medicamento genérico em São Paulo pode variar até 951,69% – ou seja, o mesmo remédio pode custar quase dez vez mais de uma farmácia para outra. Os dados estão em uma pesquisa do Procon-SP. A diferença que mais impressiona é a já citada, de 951,69%, relativa ao ao antiinflamatório Diclofenaco Sódico, 50 mg, cartela de 20 comprimidos. O menor preço encontrado foi R$ 0,89 em uma Drogaria Walmart, na zona sul e, o maior, R$ 9,36, em uma Drogaria São Paulo, na zona norte.

Entre os medicamentos de referência, a variação mais significativa foi a do Propranolol Ayerst (Cloridrato de Propranolol), 40 mg, 30 comprimidos, do laboratório Sigma Pharma, indicado para hipertensão, alcançando 520,83%.

Os preços foram de R$ 1,20, novamente no Walmart da zona sul, a R$ 7,45, na Drogaria Onofre, na zona norte. Shirlei Serafim, especialista em defesa do consumidor do Procon, diz que os valores são tabelados pela lista de preços máximos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O mercado é livre e a variação é legal. Só estará errado se o preço estiver acima do determinado na tabela, que pode ser verificada no site da Anvisa (www.anvisa.gov.br). Nesse caso, o consumidor que se sentir prejudicado pode recorrer e até pedir dinheiro de volta. Mas se o que ele verificar for apenas diferença de preço de uma farmácia para outra, não”, diz Shirlei.

A aplicação de descontos pode variar de acordo com as condições locais de mercado, rentabilidade da loja, condições comerciais de compra e até pelo sistema de franquia, que muitas vezes não tem uma política única de preços entre os franqueados.

Questão de hábito

Há quem se sinta, porém, prejudicado. “Não acho certo que seja mais barato em uma região do que em outra. Não com uma diferença tão grande”, diz a administradora Jane Gutierres, de 38 anos. “Para minimizar o impacto das compras eu pesquiso.”

O hábito de Jane é a saída indicada pelo Procon. “Checar preços é importante e a maneira do consumidor economizar”, diz Shirlei Serafim. O problema é que esse não é um comportamento comum entre os compradores. “Já acho meu anticoncepcional barato. Não me preocupo em pesquisar”, diz a auxiliar gráfica Thaís Leite, de 26 anos.

A professora Taís Assis, de 28 anos, diz que se sente enganada com a variação de valores dos medicamentos. “Mas acabo não pesquisando. Vou onde é mais prático no meu dia a dia.”

Essa também é a opção do aposentado Wilson Ferri, de 72 anos. “Compro na farmácia perto de casa. E, por um lado, não acho certo os preços serem tão diferentes. Por outro, se for mais barato nos bairros mais pobres, entendo.”

No site www.procon.sp.gov.br é possível checar a tabela com todos os medicamentos e preços do levantamento.

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