Preço de plano de saúde varia até 102%

Marcelo Moreira

20 de agosto de 2008 | 20h54

RODRIGO GALLO – JORNAL DA TARDE


Rede própria de atendimento médico pode representar valores menores cobrados pelos planos de saúde (FOTO: VALÉRIA GOLÇALVEZ)

Toda atenção é pouca na hora de se contratar um plano de saúde. A diferença na mensalidade de convênios médicos individuais básicos, ou seja, com cobertura simples e internações em enfermarias, pode chegar a 102%. Foi essa a conclusão da reportagem ao analisar os preços cobrados por oito empresas do setor.

De acordo com o levantamento, o plano Next 10 da Amil é o mais caro para consumidores de praticamente todas as idades. Já o mais barato varia muito: dependendo da faixa etária, as opções mais em conta estão nos convênios da Medial, Serma, Unimed Paulistana e Green Line.

No caso de usuários com até 18 anos, é possível encontrar convênios básicos custando a partir de R$ 42 por mês (Green Line). Nessa mesma faixa, a Amil cobra mensalidades de R$ 82,55. A diferença, portanto, é de 96,5%.

Quem tem entre 19 e 23 anos e pretende contratar um plano médico individual deve ter ainda mais atenção nos cálculos, pois é nesse caso que os valores apresentam a maior variação, chegando a 102,8%: R$ 52,90, na Medial, ante R$ 107,23, na Amil.

Cobertura define preço

Uma das principais justificativas para essa oscilação de preços é a cobertura oferecida pelas operadoras. Embora todos os planos analisados sejam equivalentes, isto é, são básicos e oferecem a opção de internação em enfermaria, algumas empresas possuem uma carteira de clínicas, laboratórios e médicos credenciados melhor ou mais ampla.

Algumas companhias, por exemplo, possuem uma extensa rede de ambulatórios e hospitais próprios, o que ajuda a baratear as mensalidades.

A coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, explica que o preço da mensalidade não deve ser o único fator analisado na hora da contratação do convênio. Segundo ela, o ideal é verificar se a cobertura não é muito restrita. “Alguns planos com mensalidades populares não dão direito a cirurgias, por exemplo”, afirmou. “Além disso, em alguns casos a abrangência do convênio é bem limitada, e a empresa só oferece atendimento em clínicas e hospitais de determinada região. Sendo assim, o consumidor teria de se deslocar por longas distâncias para ser atendido.”

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o rol de coberturas e a rede de atendimento devem estar discriminados no contrato.As empresas foram procuradas para comentar os valores.

A Unimed Paulistana informou que as mensalidades valem até o dia 31. Os representantes da Serma e da Avimed não foram localizados. A Medial confirmou a cotação obtida pela reportagem. A Samcil não encontrou nenhum diretor para se pronunciar. As demais operadoras não deram retorno ao JT.

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