Preço de plano de saúde básico varia até 220%

Marcelo Moreira

21 de novembro de 2011 | 07h12

Gisele Tamamar

Quem planeja contratar um plano de saúde básico encontra diferença de até 219,8% nos preços. Essa variação pode ser verificada considerando-se seis maiores operadoras que atuam no Estado de São Paulo. A diferença ocorre nos convênios médicos para clientes com idade entre 19 e 23 anos. Enquanto a operadora GreenLine cobra R$ 59,61 pelo seu plano de entrada, na concorrente Intermédica o custo para a mesma faixa etária é de R$ 190,65.

A rede de atendimento é um dos principais fatores que influem nos valores cobrados. No exemplo acima, o plano Classic da GreenLine prevê que as internações hospitalares devam ser realizadas, exclusivamente, na rede própria da operadora, que inclui quatro estabelecimentos.

Já no caso da Intermédica, o atendimento é mais abrangente e as internações poderão ser feitas em hospitais da rede própria ou credenciados com os médicos indicados e mediante guia de autorização prévia. Ambos os planos oferecem acomodação em enfermaria, ou seja, com dois ou mais leitos.

Além da rede credenciada ou própria, quem busca um convênio médico precisa avaliar a cobertura e abrangência (regional, estadual ou nacional). É importante se informar se o plano tem atendimento ambulatorial, hospitalar, obstetrícia ou a combinação das modalidades. A acomodação em quarto individual também pesa no preço.

Em relação às coberturas, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) define uma lista de consultas, exames e tratamentos, denominada rol de procedimentos, que os convênios são obrigados a oferecer a seus segurados. A lista é válida para contratos firmados a partir de janeiro de 1999.

“É preciso verificar o que o consumidor espera do plano e quais seus hábitos. Se ele não viaja, não precisa contratar um plano com cobertura nacional”, explica a diretora de atendimento do Procon-SP, Selma do Amaral.

A advogada Renata Vilhena Silva, sócia-fundadora do escritório Vilhena Silva Advogados, aconselha o consumidor a pesquisar na internet as reclamações e citações envolvendo as operadoras desejadas. Também é possível entrar em contato com o Procon (www.procon.sp.gov.br) para saber de queixas e com a ANS. No site da agência (www.ans.gov.br), pode-se consultar reclamações e a avaliação das empresas na seção planos de saúde e operadoras/informações e avaliações.

Renata também recomenda verificar se o convênio tem um bom hospital que não seja apenas na rede própria, quantidade de leitos de UTI e centro de oncologia. “Não se pode descartar a possibilidade de um atendimento no sistema público, que às vezes pode ser até melhor que o dos planos muito básicos”, afirma.

Outro ponto a ser observado é a tabela de reembolso das operadoras que oferecem a possibilidade de livre escolha do profissional. Nesses casos, o cliente pode marcar uma consulta com o profissional de sua preferência para depois ser reembolsado. “É preciso verificar se a tabela está de acordo com as expectativas”, diz Selma.

O presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Saúde Suplementar (IBDSS), José Luiz Toro da Silva, explica que as operadoras têm liberdade para fixar os preços de partida dos planos de saúde, que levam em consideração probabilidades, custos e riscos.

A partir do momento que o consumidor contrata um plano individual, este estará sujeito a dois reajustes. O primeiro é anual. Este ano, a ANS fixou o aumento máximo em 7,69%. O segundo é aplicado quando o cliente muda de faixa etária.

Segundo Silva, os convênios para os mais novos poderiam até ser mais baratos, mas, na prática, eles financiam o plano dos mais velhos. Isso pode ser explicado porque existe uma resolução normativa da ANS que estabelece que o valor fixado para a última faixa etária não poderá ser superior a seis vezes ao da primeira faixa.

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