Prazo de pagamento chega a dois anos e meio

Grandes redes varejistas já começam a esticar os prazos de pagamento de eletrodomésticos, eletrônicos e equipamentos de informática. Essa é uma clara indicação de que os financiamentos longos devem ganhar força neste Natal

Marcelo Moreira

20 de outubro de 2010 | 18h04

Márcia de Chiara

Grandes redes varejistas já começam a esticar os prazos de pagamento de eletrodomésticos, eletrônicos e equipamentos de informática. Essa é uma clara indicação de que os financiamentos longos devem ganhar força neste Natal. Hoje é possível quitar uma máquina de lavar em dois anos e meio, um televisor em dois e um computador em um ano e meio.

“Nunca oferecemos um prazo sem juros tão longo. Esses planos são inéditos”, afirma o diretor de Negócios do Carrefour Soluções Financeiras, Ricardo da Cruz Barreto.

Desde setembro, a rede parcela no cartão de crédito próprio os eletrodomésticos da linha branca em 30 meses sem juros, aparelhos de áudio e vídeo em 24 meses e itens de informática em 18 meses. Os resultados foram tão favoráveis que a rede decidiu estender essa condição até o fim do ano.

O concorrente Walmart começou em outubro a dividir em até 12 meses, sem acréscimo, o pagamento de computadores, geladeiras, máquinas fotográficas, por exemplo. A facilidade inclui itens das lojas físicas e online. No Extra, os eletroeletrônicos também são financiados com prazos que chegam a 18 meses no cartão próprio.

Já no Ponto Frio a condição de um ano e meio para pagar com cartão da rede vale só para produtos anunciados. Enquanto isso a Casas Bahia oferece prazo mais curto: cinco vezes sem juros no cartão próprio e dez vezes, sem acréscimo, nos cartões tradicionais.

“Existe uma perspectiva de alongamento maior de prazos de pagamento até o fim do ano”, prevê o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.

A última pesquisa sobre prazos de pagamento feita pela entidade revela que, no mês passado, o prazo médio dos financiamentos, inclusive os bancários, era de 16 meses, e o máximo chegava a 36 meses. No caso de veículos, o prazos médio estava em 44 meses e o máximo em 80 meses.

Para Oliveira, um conjunto de fatores fará com que lojas, bancos e financeiras estiquem o número de prestações até dezembro.

 O aumento do emprego, da renda, a estabilidade de preços e, especialmente, a forte entrada de divisas no País, devem acirrar a disputa entre os agentes econômicos para ampliar os negócios no melhor momento de consumo do ano, quando é pago o 13º salário. “Todos vão ampliar prazos para não perder vendas.”

Oliveira observa que a perspectiva de que taxa básica de juros fique estável nos próximos 45 dias reforça a tendência de prazos mais longos.

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