Portabilidade numérica tem baixa procura

Marcelo Moreira

30 de março de 2010 | 21h45

 LIGIA TUON – JORNAL DA TARDE 

Falta de informação e de interesse dos usuários. A portabilidade numérica, que permite ao consumidor trocar de operadora mantendo o mesmo número, não pegou, de acordo com informações da Teleco, empresa de consultoria na área de telecomunicações.

Das 56,8 milhões de pessoas que trocaram de operadora de celular em 2009, apenas 4% preferiram manter o número antigo.  Além disso, fevereiro deste ano registrou diminuição de 6,1% nos pedidos de portabilidade, em relação ao mês anterior.

Esse cenário, segundo especialistas, está relacionado à falta de interesse do consumidor. “O usuário tem preferido trocar de número do que enfrentar a burocracia da portabilidade”, explica Eduardo Tude, presidente da Teleco.

Para Ethevaldo Siqueira, jornalista especializado em telecomunicações e colunista do jornal O Estado de S. Paulo, a baixa procura é resultado da falta de conhecimento do usuário. “Antes de a portabilidade ser implantada, a expectativa da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) era de receber 8 milhões de pedidos por ano. Mas isso não aconteceu, pois, além de o consumidor não conhecer bem o serviço, quando se interessa pela troca, geralmente recebe uma contraproposta da operadora e acaba desistindo”.

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), as empresas de telefonia também não dominam bem o serviço. “Fizemos uma pesquisa com as operadoras em 2009 sobre regras da portabilidade e todas erraram pelo menos uma pergunta. Além disso, faltou uma discussão com a população”, diz Estela Guerrini, advogada do Idec.

O Idec faz outro alerta em relação a última mudança que a Anatel anunciou. “O tempo para que o serviço seja oferecido foi de 5 para 3 dias.

Essa medida não terá eficiência se a Anatel não aumentar a fiscalização”, diz Estela.
Quem teve problemas com prazo foi o engenheiro André Vernille. “Fiquei 40 dias esperando pela troca, até que desisti e fiquei com a operadora antiga”, conta.

De acordo com Adeilson Nascimento, representante da Anatel no grupo de implementação da portabilidade, o que causa o descumprimento não é o tamanho do prazo. “Isso geralmente acontece quando há alguma inconsistência nos dados do usuário”.

Segundo ele, as empresas ainda têm dificuldade em acelerar o processo quando encontram problema de cadastro. “Estamos estudando formas de melhorar a prestação de serviço nesse sentido”.

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