'Portabilidade involuntária' restringe benefícios nos planos de saúde

Marcelo Moreira

06 de abril de 2009 | 19h46

Já o leitor Octávio Prado faz um desabafo sobre as dificuldades que os idosos enfrentam na questão da “portabilidade involuntária” de planos de saúde, devido aos problemas financeiros que atingem parte das empresas ao longo dos anos.

Carteiras de clientes são compradas ou compulsoriamente transferidas para outras empresas, proém sempre com prejuízo para os beneficiários, como a restrição de exames e cirurgias.

“Lendo no Estadão a matéria ‘Avimed passa cliente para plano mal-avaliado’, tentei denunciar à ANS o péssimo atendimento de que vimos sendo vítima, eu com 78 anos e minha mulher com 73 anos de idade, desde a falência da Interclínicas da qual éramos associados desde 01/09/1987.

Tentei enviar mensagem pela página ‘Fale Conosco’ do site da ANS mas, após preencher os dados solicitados, (nome da operadora, CNPJ e Nº de registro na ANS) o site simplesmente não dá continuidade ao processo.

Tentei, então pelo Disque ANS (0800 701 9656), recebendo o clássico aviso de que todos os atendentes estavam ocupados e que a demora seria de 9 minutos e 24 segundos.

Fiquei então ouvindo, repetida e irritantemente, as mensagens sobre as ‘atividades’ da ANS até que, após 16 minutos de espera ao telefone, decidi desligar, já que nem os próprios órgãos do (des)governo federal respeitam as determinações quanto ao prazo de atendimento por este impostas.

O plano (contratado em nome de minha mulher) passou depois da Interclínicas por mais duas operadoras falidas (Saúde ABC e ultimamente a Avimed) e, em cada transição, fomos perdendo os benefícios oferecidos pelo plano original.

Passamos a pagar consulta particular ao médico que nos atende há mais de 20 anos, então credenciado pela Interclínicas mas que deixou de sê-lo pelas sucessoras, mesmo pagando mais de R$ 1.600,00 mensais por nosso plano.

Perdemos o direito a hospitais de primeira linha, como o Oswaldo Cruz, Samaritano, Hospital do Coração, entre outros, sem falar nos laboratórios de análise a que tínhamos direito e que foram também descredenciados e isso, pelo que sei, contrariando a determinação de que o consumidor não deveria ser prejudicado.

Agora, recebemos por e-mail da Avimed a notificação de que os serviços passarão a ser prestados pela tal de Itálica, empresa que recebeu nota baixa da ANS por vários delitos criminosos cometidos.

A ANS havia concedido prazo à operadora até o dia 20 de março para que apresentasse sua sucessora. O Estadão, que temos a honra de assinar há mais de 40 anos, denuncia hoje mais uma falcatrua desse bando de estelionatários, que anunciam como fato consumado uma ‘solução’ ainda não devidamente aprovada pela ANS. E vai ficar tudo por isso mesmo?”

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