Portabilidade? Haja paciência

Marcelo Moreira

14 de março de 2009 | 20h27

PAULO DARCIE – JORNAL DA TARDE

A portabilidade, que permite trocar de operadora de telefonia sem perder o número, pode ser a solução para quem está insatisfeito com o serviço.

Mas o processo, que pela regra não deve demorar mais do que cinco dias, pode virar um transtorno para o usuário. O JT fez a migração, que está disponível desde 2 de março na capital, e ouviu pessoas que também pediram a mudança de operadora: a constatação é de que a mudança tem detalhes que podem dar muita dor de cabeça.

Para começar, a reportagem passou mais de uma hora em uma loja da Oi para concluir o pedido de migração. A atendente da loja pediu dados pessoais, comprovante de residência e até a data de nascimento da mãe do repórter. Passou, por telefone, os dados para uma central da operadora e, em outra ligação, para uma instituição de proteção ao crédito.

Depois de feito o pedido, a TIM, operadora de origem, fez contato oferecendo uma contraproposta com descontos. A conversa demorou 25 minutos, com longas esperas para que a atendente fizesse os cálculos do desconto possível.

O próximo passo foi desbloquear o aparelho: em duas visitas a lojas da TIM, os funcionários disseram estar “sem sistema”.

Na loja da Oi, o problema foi o horário: o desbloqueio só é feito entre 14h e 20h, impossível para o repórter, que precisou importunar um amigo pedindo para que fizesse isso. Depois de dois dias sem telefone, a mudança de operadora foi concluída.

O desbloqueio foi também o problema do professor Marco Aurélio Rocatto, de Santos. “Mudei para a Oi, mas, nas lojas da Vivo de Santos, disseram que não dava para desbloquear e tive que ir para o Guarujá”, disse.

A engenheira Daniela Pereira reclama do tempo nas lojas. “Fiquei duas horas em uma loja da Vivo para me dizerem que o novo chip não ia funcionar no aparelho antigo.”

O processo tem atormentado a produtora de vídeo Ana Wainer, de 22 anos, antes mesmo do pedido. “Estou há uma semana negociando com a Vivo para levar um plano de família para lá”, diz. “Tem muitos detalhes e condições. Falo com eles todos os dias.”

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Vivo afirma que o desbloqueio ocorre em todas as lojas com a apresentação da nota fiscal e que, para evitar fraudes, não fecha contratos por telefone.

Já a assessoria da Oi informa que a operadora oferece o serviço tanto para seus clientes quanto de outras empresas. A TIM afirma que efetua o desbloqueio para quem migra para ela e para quem sai dela, desde que o cliente apresente a nota fiscal do aparelho.

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) não recebeu ainda nenhuma reclamação formal sobre migração – na capital, até a meia-noite do dia 12 haviam sido feitos 21,9 mil pedidos, sendo 10 mil concluídos.

A advogada da entidade, Maria Inês Dolci, no entanto, diz ter recebido queixas quanto à burocracia. “O consumidor está mal informado, o que deixa o processo mais complicado”, afirma. “As operadoras têm que facilitar o acesso aos serviços, e não dificultar”, diz ela.

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