Pode ser o fim dos e-mails indesejados

Marcelo Moreira

29 de novembro de 2011 | 07h29

Ligia Tuon

Os spams podem estar com os dias contados. Pelo menos é o que espera o Comitê Gestor da Internet (CGI.br) – órgão governamental que monitora o ambiente virtual no País – com as novas medidas para reduzir o envio em massa de e-mails indesejadas.

As mudanças são parte de um acordo firmado neste mês entre o CGI.br, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), operadoras e provedores, e devem ser colocadas em prática em até 12 meses, contados a partir de janeiro de 2012.

A ideia do Comitê é gerenciar a porta 25 (essas portas são “espaços virtuais” na web usados para a comunicação entre endereços de correio eletrônico) de forma que operadoras e provedores usem a porta 587 ou 465.

“Assim, é possível rastrear quem envia spams, o que não era possível na porta 25, que é mais vulnerável”, diz Henrique Faulhaber, conselheiro representante da indústria de bens de informática, de bens de telecomunicações e de software do CGI.br.

Os grandes provedores de internet já fazem isso há algum tempo, por isso, os usuários de webmail não terão que fazer nenhuma alteração. Já quem utiliza softwares de correio eletrônico instalados no computador – como Outlook e Mozilla Thunderbird – deve fazer uma pequena mudança na configuração. A recomendação, como cada um tem regra própria, é que o usuário entre em contato com o provedor para alterar a porta.

O fato é que não adianta fazer a maioria migrar da porta 25 se ela não estiver protegida. “Dessa forma, esperamos que o Brasil saia das primeiras posições de países com mais endereços em listas de bloqueios no mundo todo”, afirma Faulhaber. Atualmente ocupamos o quarto lugar.

Além dos usuários de programas de e-mail, alguns provedores pequenos e usuários de softwares mais antigos ainda usam a porta 25 (entre em contato com a sua operadora de internet ou provedor para se informar sobre as configurações). “Eles terão que alterar a forma de uso, mas são uma exceção”, completa Faulhaber.

Além de o Brasil sair das listas negras no exterior, quando se tratam de e-mails, a medida também deve melhorar o desempenho das redes domésticas. “O gerenciamento da Porta 25 vai reduzir o consumo de banda para o envio de spams, melhorando as condições de uso para todos”, aponta Eduardo Levy, representante dos provedores de infraestrutura de telecomunicações no CGI.br.

Segundo Levy, muitas vezes, o internauta decide contratar um plano de acesso à internet velocidade mais alta, por considerar que a atual deixa a desejar, mas o problema é se a máquina dele está infectada. “Nesse caso, não adianta contratar uma velocidade maior”, diz.

Apesar de não existir ainda no Brasil uma legislação própria para crimes de internet, uma vez que o hacker responsável pelo envio de spams é rastreado, ele pode responder por crimes como falsidade ideológica ou crime de danos, segundo a quarta delegacia de crimes eletrônicos.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.