Planos de saúde: falta interesse pela portabilidade

Marcelo Moreira

27 de abril de 2009 | 19h47

CAROLINA DALL’OLIO – JORNAL DA TARDE

Na opinião dos corretores de planos de saúde, a portabilidade não vai provocar queda de preços porque o tipo de consumidor que mudaria de operadora é justamente aquele que as empresas não querem conquistar.

“Quem sabe que o plano é ruim e quer trocar é o cidadão que usa os serviços com frequência”, diz Antônio Martins, da Rosfem Corretora. “E o cliente que usa demais é aquele que só dá despesa”, conclui Martins, dizendo que o mecanismo é exatamente inverso ao da telefonia celular – “lá quem usa muito dá lucro”.

Segundo Martins, o cliente só se torna interessante para a operadora quando cumpre o período de carência. “É nessa fase que ele paga o plano, não usa e permite que a empresa forme o caixa necessário para custear os serviços que ele necessitará adiante. “Se não há carência, dificilmente haverá lucro rápido.”

Pelas regras atuais da portabilidade, a migração entre planos não é apenas um mau negócio para as empresas. O consumidor também pode sair perdendo. Martins argumenta que os planos contratados a partir de 1999 têm sofrido reajuste de preços regulado pela ANS.

Enquanto isso, os planos que são hoje ofertados pelas empresas têm preço livre. Por conta desse descompasso, um plano novo custaria mais que um plano com as mesmas características, porém contratado há mais tempo. “Quem analisar bem, vai ver que dificilmente conseguirá um serviço do mesmo nível por um preço melhor.”

A procura escassa pela portabilidade confirma a tese. A ANS ainda não possui dados sobre quantas pessoas já tentaram migrar de convênio. Mas os corretores dizem que o movimento anda fraco. “Atendo mais de 40 clientes por semana e até agora ninguém me consultou sobre mudança de plano”, informa Uyara Lourenço, da corretora Souza & Guerreiro.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.