Planos negam pedidos de ortopedistas

Sete em cada dez ortopedistas do País já tiveram algum tipo de atendimento solicitado para o paciente negado por parte do plano de saúde. As cirurgias encabeçam a lista, com 55% das recusas, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot)

Marcelo Moreira

26 Julho 2010 | 12h27

do Jornal da Tarde

Sete em cada dez ortopedistas do País já tiveram algum tipo de atendimento solicitado para o paciente negado por parte do plano de saúde. As cirurgias encabeçam a lista, com 55% das recusas.

A pesquisa, feita pelo Ibope para a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot), evidencia a interferência das operadoras no trabalho médico e corrobora os dados de associações de defesa do consumidor.

Também aparecem na lista de itens recusados pelas operadoras procedimentos ambulatoriais ou exames (37%), material cirúrgico (25%), próteses (12%) e implantes (9%). A pesquisa ouviu 400 profissionais.

 “Há uma pressão velada. O médico é instruído a não pedir tantos exames ou pode ser punido com redução do preço da consulta, por exemplo. O paciente nem sequer fica sabendo que poderia ter acesso a um atendimento mais completo. A relação com as operadoras é uma das coisas mais limitantes do exercício da medicina”, afirmou Claudio Santili, presidente da Sbot.

Entre os 275 médicos que tiveram recusas no atendimento e informaram quantas vezes isso ocorreu no período de um ano, 35% tiveram até seis negativas e 24%, entre 7 e 12 vezes.

O professor de educação física Edgard Alberto de Oliveira, de 28 anos, sofreu com sucessivas negativas de seu plano de saúde. Após romper os ligamentos do joelho, seu médico confirmou o diagnóstico com exames de ressonância magnética e solicitou à operadora autorização para uma cirurgia.

Depois de tentar por dois meses agendar a operação e não obter a autorização, ele recorreu à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que advertiu a empresa. Após dois dias fez a operação.