Planos de saúde: só 23 têm nota máxima

Ao avaliar as 989 operadoras de planos de saúde médico-hospitalares do País, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) atribuiu nota máxima a apenas 23 empresas. Elas atendem a 6,7 milhões de usuários, 16% do total

Marcelo Moreira

23 de agosto de 2010 | 08h27

Carolina Dall’Olio

Ao avaliar as 989 operadoras de planos de saúde médico-hospitalares do País, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) atribuiu nota máxima a apenas 23 empresas. Elas atendem a 6,7 milhões de usuários, 16% do total.

O índice de qualidade criado pela ANS varia entre zero e 1, e é dividido em cinco faixas – a mais alta fica entre 0,8 e 1,0. A agência reguladora federal avalia quatro critérios: a atenção dada à saúde, a situação econômico-financeira da operadora, a estrutura de atendimento e a satisfação dos clientes.

“Os critérios analisados pela ANS nada mais são do que uma avaliação de conformidade com as normas estipuladas pela própria agência”, ressalta Juliana Ferreira, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) especializada em saúde suplementar.

Por isso, segundo ela, era razoável esperar que a maioria das empresas apresentasse a nota máxima – elas estariam apenas cumprindo suas obrigações.

“Ao analisar a avaliação que a ANS fez das operadoras podemos concluir que a situação das operadoras de saúde é muito preocupante”, destaca Juliana. “Agora, devemos esperar que a ANS use esses resultados para fiscalizar e punir as empresas que apresentaram notas mais baixas.”

Entre as 23 empresas com notas acima de 0,8, a maioria é formada por associações de classe ou cooperativas. Das grandes seguradoras ou companhias de medicina de grupo, só a Amil e a Bradesco Saúde obtiveram nota máxima.

A situação, entretanto, é menos grave do que a registrada pelo órgão regulador em 2009, quando apenas oito empresas receberam a cotação mais alta. A ANS não se pronunciou sobre os resultados.

Nos planos de saúde exclusivamente odontológicos, o retrato é mais animador. Das 354 operadoras, apenas 29 apresentam notas entre 0,8 e 1. A boa notícia é que elas atendem a 4,3 milhões de usuários, mais de 50% do total.

Para verificar qual foi a avaliação recebida pela sua operadora e identificar os problemas que ela apresenta, basta que o consumidor visite o site da ANS (www.ans.gov.br) e digite o nome da empresa. A página eletrônica informa não apenas a nota, mas o desempenho da operadora segundo cada critério analisado pela ANS.

Convém que o cliente tenha cuidado, em especial, com aquelas empresas que revelarem problemas de ordem econômica – são essas que correm mais riscos de quebrar. “A avaliação feita pela ANS é um ótimo instrumento para que o consumidor se informe sobre as condições de sua operadora”, indica Juliana.

Para ela, os usuários que são clientes das redes mal avaliadas devem questionar as empresas sobre o resultado, pedindo explicações. “Essa é uma forma que o consumidor tem de protestar e pressioná-las a melhorar.” Caso seja de seu interesse, os consumidores também podem migrar para outra operadora, por meio da portabilidade.

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