Planos de saúde não cobrem prevenção

Marcelo Moreira

09 de novembro de 2008 | 22h19

FABIANA CIMIERI – O ESTADO DE S. PAULO

Os planos de saúde pouco investem em prevenção e a minoria que o faz direciona seus programas para o tratamento de doenças crônicas – portanto lidam com pacientes que já estão doentes.

Estudo comparativo inédito e independente sobre o setor de saúde privada, realizado pela consultoria CVA Solutions, revela que 71% dos planos não cobrem nenhum procedimento de saúde preventiva e os 29% restantes não chegam a estruturar uma verdadeira política de prevenção para seus clientes saudáveis.

A pesquisa – feita entre junho e julho deste ano nos Estados de São Paulo e Rio – ouviu 4 mil usuários de 33 operadoras de saúde, além de 153 representantes da área de recursos humanos responsáveis pela escolha de planos para empresas.

De acordo com o estudo, as pessoas necessitam e estão receptivas a programas de prevenção. Nos últimos dois anos, 29% dos beneficiários participaram de algum programa para adotar hábitos mais saudáveis.

Entre as coberturas desejadas e que não são oferecidas estão check-ups regulares, subsídio a medicamentos, programas de vacinação, terapias alternativas e descontos em academias. “O problema é que os planos pensam em prevenção para quem está doente, e se esquecem dos 90% de usuários saudáveis que acabam se sentindo abandonados pelo plano”, disse o coordenador do estudo, Sandro Cimatti.

Dos beneficiários de planos, 59% acham que os custos são maiores do que os benefícios. “Os pacientes crônicos correspondem a cerca de 10% do total de usuários e representam 65% do custo da operadora. Os demais pacientes poderiam ter um relacionamento mais próximo com seu plano de saúde se tivessem esses programas de prevenção, o que aumentaria a percepção de valor da empresa e reduziria a sinistralidade a longo prazo.”

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo, Arlindo de Almeida, discorda dessa conclusão. “Trabalhamos com 42 tipos de programas de medicina preventiva. As maiores operadoras certamente oferecem. O número de operadoras pode não ser tão alto, mas em termos de beneficiários certamente a maioria é atingida.”

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