Planos de saúde lideram queixas no Idec

Marcelo Moreira

02 de março de 2010 | 22h38

 SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

 
 Pelo décimo ano consecutivo, os planos de saúde foram os campeões de reclamações no Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O setor lidera o ranking de reclamações do instituto (com 22,38% das queixas), seguido pelas empresas de telecomunicações (19,48%), o setor financeiro(13,09) e de produtos (12,34%).

No ano passado, esses quatro temas somaram mais de 67% da demanda de atendimento, que reuniu 6.104 queixas relacionadas a problemas de consumo.

Outras 6.502 solicitações foram referentes às ações judiciais que o Instituto sustenta. “Por coincidência ou não, os planos de saúde estão na liderança de reclamações no Idec desde a criação da Agência Nacional da Saúde (ANS), em 2000”, diz Karina Alfano, gerente de relacionamento do Idec.

O principais problemas reclamados pelos clientes dos convênios foram sobre reajustes abusivos e negativas de cobertura. “Enquanto a ANS não incluir na sua regulação os planos coletivos (que hoje são 70% do mercado), essa situação não vai mudar. É como se 70% dos contratos de convênio estivessem sem regulação”, completa Karina.

Nas telecomunicações, os destaques foram panes em serviços de telefonia e internet banda-larga, demora para realizar a portabilidade numérica, cobrança por ponto-extra de TV por assinatura e descumprimento das novas regras para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

No setor financeiro, as principais reclamações foram sobre os serviços bancários, com cobranças de tarifas indevidas, os débitos não autorizados, não fornecimento de documentos (contratos e comprovantes) e o envio de cartão de crédito sem solicitação. “Outros setores registraram quantidade inexpressiva de reclamações, como educação (mensalidade, matrícula), condomínio, aviação civil e serviços de água e energia elétrica”, diz Karina.

A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) prefere esperar o resultado de 2009 do Procon-SP, cujos dados podem ser diferentes. A entidade alega que, no ano passado, o relatório do Procon indicava que as reclamações de planos de saúde representavam 1,77% do total de empresas e não mais de 20% como diz o Idec.

A Associação Nacional das Operadoras de Celulares (Acel) informa que não tem condições de comentar sem conhecer detalhes sobre a metodologia que gerou os números.

De qualquer modo, considera que tem um número de clientes superior às de qualquer outro setor econômico no Brasil, o que deve ser considerado em porcentuais de reclamações.

Para a Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), a classificação comparativa do volume de queixas tendo como base apenas números absolutos de reclamações recebidas é ingênua e não faz justiça a nenhum dos setores comparados. Nesse sentido, os números divulgados pela agência reguladora setorial seriam mais relevantes.