Planos de saúde e comércio eletrônico estão entre os mais reclamados de 2007

piresthalita

18 de março de 2008 | 14h11

por THALITA PIRES

As duas mais importantes associações de defesa do consumidor do país divulgaram na semana passada os assuntos mais questionados por seus associados em 2007. Na lista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), os planos de saúde lideram. Já na Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), as campeãs são as lojas de comércio virtual.

O Idec recebeu no ano passado cerca de 20 mil consultas no ano passado. Os questionamentos sobre planos de saúde lideraram o ranking pelo oitavo ano consecutivo, com 17,1% das consultas. Os principais problemas apresentados foram reajustes abusivos e a falta de cobertura de procedimentos, consultas e exames.

Em seguida vêm o setor financeiro, com 14% das dúvidas (duvidas sobre tarifas bancárias e às cobranças dos cartões de crédito), telecomunicações, com 13,8% (mudança de pulso para minuto) e produtos em geral, com 12,2% (defeitos e oferta enganosa).

Outro destaque foram das perdas da poupança referentes aos planos Bresser, Verão e Collor), que motivaram 18 mil consultas. De acordo com Maíra Feltrin, a tendência dos anos anteriores foi confirmada em 2007. “Os três primeiros lugares vêm se repetindo ao longo dos anos, mostrando que os problemas continuam”, diz.

A corretora Judith Schmidt enfrentou um problema com seu plano de saúde. Em meio a uma crise de labirintite do marido, ela buscou um otorrinolaringologista que pudesse atendê-lo rapidamente. Não encontrou, nem no centro de atendimento do próprio convênio. Depois buscou um pronto-socorro, também sem sucesso. “Não havia otorrino de plantão. Tive que marcar uma consulta em um lugar longe de casa, depois de alguns dias”.
Ela acredita que o problema ocorreu pelo recente descredenciamento de médicos pelo convênio. “Diminuíram tanto que acabei sem opção e sem consulta”, diz.

No ranking da Pro Teste, as compras pela Internet lideram o ranking. Em seguida vem os serviços de telefonia celular, telefones celulares, produtos eletroeletrônicos e serviços de TV por assinatura. Esses foram os serviços e produtos líderes em reclamações de associados da Pro Teste ao longo de 2007. Por área, serviços públicos e de interesse público tiveram 34% das queixas, seguidos de produtos (33%), financeiros (17%) e por serviços em geral (16%).

Segundo Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, a principal característica dos associados é utilizar os testes e as orientações da entidade para evitar problemas de consumo. “As queixas que registramos decorrem de situações que nem nossas orientações puderam evitar, por isso, são mais expressivos qualitativa e comparativamente do que numericamente”, salienta.

A liderança das vendas pela internet é uma novidade no ranking da Pro Teste. “Isso reflete o aumento do mercado”, diz Dolci. “Por isso, sugerimos ao Congresso e ao Senado a criação de um código específico sobre e-commerce”, diz. Ela sugere que o código tenha exigências sobre segurança nas transações e veracidade das propagandas veiculadas em sites.

A coordenadora logística Fabiana Coelho sofreu com problemas em compras online que ainda não foram resolvidos. No final do ano, ela realizou uma compra no site Submarino para participar de um amigo secreto. “A promessa era de entrega em um dia, mas como a compra não chegou, eu pedi o cancelamento, porque não precisava mais e também porque ia viajar”, explica. Depois da viagem, ela recebeu os produtos em casa. “Não entendi nada. Expliquei tudo de novo e pedi para retirarem os livros em casa. Mas até hoje não recebi reembolso”, conta.

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