Plano de saúde sobe até 23% em seis meses

Marcelo Moreira

04 de junho de 2012 | 07h49

LUCIELE VELLUTO

As operadores de planos de saúde reajustaram em até 23% suas mensalidades nos últimos seis meses para os contratos novos individuais. O levantamento foi feito pelo JT considerando valores de novembro de 2011 e abril deste ano. No mesmo período, o Índice do Custo de Vida (ICV), do Dieese, na capital foi de 3,97%. Os preços iniciais dos convênios médicos não estão submetidos a um controle da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), portanto, cada empresa é livre para cobrar quanto quiser.

O maior aumento para novos clientes ocorreu no plano básico da Intermédica (Max 200), que apresentou 23% de alta. Já a Greenline não elevou o valor para seu plano Classic.

Segundo as empresas, o aumento ocorre por causa da alta dos custos e para diminuir o achatamento das margens de lucro nos anos seguintes, já que os reajustes passam depois a ser anuais e controlados pela ANS.

O presidente nacional da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida, explica que os aumentos aplicados pelos planos ocorrem para cobrir uma constante elevação do custo do serviço para as operadoras com a inclusão de procedimentos obrigatórios, conforme exigência da ANS, e até o aumento da expectativa de vida do brasileiro.

“Como os reajustes são menores, porque são determinados pela ANS, os preços iniciais são mais elevados. Quem comprou um plano há quatro anos se deu bem, pois já houve vários aumentos do rol de procedimentos, mas os reajustes não acompanharam”, justifica Almeida.

O professor e diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde (CPES), Marcos Bosi Ferraz, afirma que o encarecimento dos planos de entrada está relacionado ao risco de perdas da operadora, já que os contratos individuais têm reajuste regulado pela ANS. “Quanto maior o preço, menor o risco de perdas, pois a agência determina o máximo que poderá subir o plano”, comenta.

Ferraz também acredita que os custos para as operadoras têm subido por causa da adoção de novas tecnologias para procedimentos e tratamentos. O envelhecimento da população também pesa na conta da empresas. Segundo ele, hoje, de cada cinco pessoas com mais de 65 anos, quatro tem alguma doença crônica.

Segundo o advogado especialista em defesa do consumidor e consultor do JT, Josué Rios, para as empresas não interessa trabalhar com planos individuais. Ele afirma que como o mercado é livre para estipular o preço inicial, as empresas aproveitam para dar o troco na regulamentação posterior de reajuste imposta pela ANS. E essa prática acaba afetando justamente o consumidor mais vulnerável, conclui Rios.

A ANS afirma que não estipula preços a serem praticados pelas operadoras, seja para planos coletivos ou individuais. Porém, a regra estabelecida pelo órgão exige que a operadora elabore uma nota técnica atuarial de precificação para cada um de seus planos como pré-requisito para a concessão do registro de planos e manutenção de sua comercialização.

A má notícia para o consumidor é que tanto Almeida quanto Ferraz não veem perspectiva de que os preços parem de subir nos próximos meses.

Procuradas, a única empresa que respondeu sobre o aumento foi a Unimed Paulistana: “O reajuste foi para repor a defasagem dos custos médico-hospitalares dos planos individuais/familiares, baseado índice de variação dos custos médico-hospitalares da Unimed Paulistana”.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.