Perda de controle leva mais gente para a inadimplência

Marcelo Moreira

24 de setembro de 2008 | 16h49

MARCOS BURGHI – JORNAL DA TARDE

Os consumidores estão inadimplentes por conta do descontrole orçamentário. De acordo com dados preliminares da Pesquisa de Perfil do Inadimplente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), entre março e setembro deste ano, o índice de entrevistados que declararam estar com restrição ao crédito por conta da perda das rédeas do orçamento subiu de 13% para 16%.

Ainda segundo o levantamento, caiu o porcentual de pessoas inadimplentes por conta do desemprego, que recuou de 52% em março para 46% em setembro.

Para Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP, o aumento do descontrole dos gastos está relacionado à oferta de crédito. Solimeo observa que o mercado oferece diversas alternativas, como cartões de crédito e cheque especial, entre outras, o que leva os consumidores a usarem várias opções ao mesmo tempo, o que acaba levando à inadimplência.

Ainda de acordo com o economista, os dados mais recentes mostram que, em 2007, 12% do total de CPFs verificados acerca das condições de crédito passaram pela consulta pela primeira vez.

Ele afirma que mais gente teve acesso às linhas de crédito e parte desse contingente, sem saber como planejar os gastos por conta de familiaridade com o assunto, teve problemas de restrição.

Solimeo explica que o nome do devedor é incluído no cadastro da instituição dez dias após a ACSP enviar carta ao consumidor comunicando o débito.

Segundo ele, o documento é remetido assim que o estabelecimento comercial avisa a associação sobre o débito, o que pode acontecer um dia após o vencimento. Na prática, explica o economista, as lojas esperam em média 45 dias para avisar a ACSP.

O encadernador Luís Antonio Martins, 56 anos, está entre os consumidores que perderam a mão sobre o próprio orçamento. Segundo ele, o problema começou em 2006, quando fez um empréstimo e não conseguiu honrar as prestações. “Tive problemas com outros gastos que já havia assumido”, afirma. Martins diz que o próximo objetivo é negociar uma forma de pagamento para recuperar a condição de crédito.

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