Paulistas aproveitam boa fase para limpar o nome

Com os índices de emprego em alta e mais dinheiro no bolso, o consumidor corre para “limpar o nome”. O número de dívidas em atraso superior a 90 dias quitadas ou renegociadas no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) vem registrando bons resultados desde o início do ano

Marcelo Moreira

08 de outubro de 2010 | 17h39

Gisele Tamamar

Com os índices de emprego em alta e mais dinheiro no bolso, o consumidor corre para “limpar o nome”. O número de dívidas em atraso superior a 90 dias quitadas ou renegociadas no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) vem registrando bons resultados desde o início do ano.

Em agosto, foram cancelados 416.369 registros, em setembro, foram 410.809 baixas. As taxas são consideradas positivas pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e influenciadas pela primeira parcela do 13º salário dos aposentados, pelo aquecimento do mercado de trabalho e pela expansão do crédito que facilita as renegociações.

A ligeira redução do número de registros em setembro em relação ao mês anterior se deve ao feriado da Independência, uma terça-feira, o que deixou o mês com menos dias úteis para o consumidor regularizar sua situação.

Mas até o fim do ano, a tendência é de alta com pico em dezembro, quando as pessoas buscam limpar o nome para as compras de Natal.

Outro fator positivo é a queda da taxa de inadimplência calculada pelo Banco Central. Os atrasos superiores a 90 dias em operações de crédito atingiram o menor índice dos últimos 12 meses: 6,2% em agosto. No mesmo mês do ano passado, a taxa era de 8,3%. O número envolve desde financiamento imobiliário a cheque especial.

De acordo com o economista da ACSP, Emilio Alfieri, o maior problema da inadimplência é o desemprego. O aquecimento do mercado de trabalho, com recorde de empregos formais e aumento da renda, facilita a renegociação e quitação da dívida.

Só em agosto, a região metropolitana de São Paulo criou 49.052 postos de trabalho com carteira assinada, média de uma vaga por minuto. Aliado a esse número, a renda do trabalhador também aumentou na Grande São Paulo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio chegou a R$ 1.580,10 – 3,8% maior que agosto do ano passado.

O professor de macroeconomia e cenários econômicos da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Silvio Paixão, afirma que as pessoas estão conseguindo se organizar financeiramente.

“Com a melhora do emprego e renda, é possível ter mais previsibilidade da receita e se planejar para seguir um orçamento. As pessoas compram mais vezes menos quantidade do que todos os produtos de uma vez”, diz.

Silvio Paixão também observa que ter o nome limpo é requisito para recolocação no mercado de trabalho. Mas com a falta de mão de obra qualificada, algumas empresas até abrem uma exceção para o funcionário regularizar a situação durante o período de experiência. “Em um período de abundância de mão de obra essa situação não seria tão flexível”, avalia o professor.

A expectativa da ACSP para o fim do ano é ainda melhor. Alfieri estima que cerca de 500 mil débitos sejam cancelados em dezembro no SCPC. O movimento deve ser maior na primeira quinzena do mês influenciado pelo pagamento do 13º salário. “As pessoas querem limpar o nome para fazer novas compras no Natal”, explica o economista.

Para o professor de finanças do Insper, Liao Yu Chieh, é natural o consumidor buscar regularizar sua situação e limpar seu nome na primeira oportunidade. A grande maioria destas pessoas – mais de 90% – fica inadimplente em decorrência de descontrole financeiro e falta de planejamento.

Por isso, o professor da Fipecafi recomenda que o consumidor já comece a se planejar para as festas e férias do fim do ano para não passar metade do ano que vem quitando dívidas. “É preciso ter prudência e planejar os gastos.”

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