Páscoa: só compre peixe embalado

Marcelo Moreira

18 de março de 2010 | 22h36

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

A Páscoa é a grande data para quem vende e para quem compra peixes e frutos do mar, mas também é motivo de preocupação para as autoridades e para o consumidor. O pescado congelado é de longe o produto com maior número de irregularidades encontradas pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-SP). Em 2009, o índice de reprovação do pescado foi de 30%.

No dia 3 de março último, os fiscais do órgão percorreram estabelecimentos na capital e reprovaram 36,36% dos lotes de pescado congelado. Em operação semelhante no interior do estado, nessa semana, foram reprovados 16 dos 24 lotes (66,67%).

Para evitar problemas e comprar sem sustos nesta Páscoa, é bom lembrar que a prática de vender peixes e frutos do mar congelados a granel (em porções soltas e não embaladas) está proibida no Brasil. Esses produtos só podem ser oferecidos embalados e pré-medidos – com rótulo que indique a quantidade líquida (somente o pescado) e bruta (incluindo o gelo).

“Nas compras, sempre deixar os congelados por último e, se puder, leve uma bolsa térmica para o produto não descongelar”, recomenda Fernanda Ribeiro, bióloga e técnica da área de a alimentos da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste).

Na hora de escolher o peixe, confira as determinações de rotulagem: origem, nome ou razão social do estabelecimento, conservação do produto, lote, data de fabricação, validade e carimbo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a garantia obrigatória da carne.

Fernanda recomenda também que o consumidor tenha certeza de que o produto está congelado. “Se houver alguma pedra de gelo solta na embalagem, não compre. Isso é sinal de que o pescado já foi descongelado e congelado novamente”, diz.

Além disso, ela recomenda ficar atento ao excesso de água e gelo no peixe. “Existem casos em que quase 20% do peso do peixe é, na verdade, água. Isso faz com que o consumidor sofra um prejuízo grande”, completa.

Segundo Vilma Raimondi, chefe do núcleo de fiscalização externa do Ipem-SP, como o consumidor não tem condições de avaliar a quantidade de gelo no pescado congelado, a opção que resta é acessar o site do órgão (www.ipem.sp.gov.br), onde estão listadas as marcas que apresentam irregularidades. “Suspeitando de alguma irregularidade, recomendamos denunciar para a nossa ouvidoria (0800-0130522)”, diz Vilma.

Pescado Fresco

Outra boa opção para levar mais carne (e menos água) pode ser comprar peixe fresco. Porém, nesse caso o ideal é que o produto seja preparado e consumido no mesmo dia. Além disso, também devem ser tomados alguns cuidados na hora da escolha. “O peixe fresco é melhor opção, pois não tem conservantes. Mas a carne deve estar bem firme, quando apertada”, diz Fernanda.
As escamas também devem ser firmes e as guelras avermelhadas. “Por fim, o peixe não pode cheirar amônia (ou estragado) e os seus olhos devem brilhar. Não podem ser aquele olho fosco de peixe morto”, completa Fernanda.

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