Parte do lixo eletrônico é de TVs

A Organização das Nações Unidas estima que só as TVs respondam por 137 mil das 366 mil toneladas de lixo eletrônico gerado por ano no País – o que significa que cada brasileiro descartaria 0,7kg de TVs por ano

Marcelo Moreira

17 de agosto de 2010 | 16h42

Andréa Vialli – O Estado de S. Paulo

A Organização das Nações Unidas estima que só as TVs respondam por 137 mil das 366 mil toneladas de lixo eletrônico gerado por ano no País – o que significa que cada brasileiro descartaria 0,7kg de TVs por ano.

Dono de uma empresa de assistência técnica na zona leste de São Paulo, Mensório convive de perto com o abandono dos equipamentos cujo conserto se tornou inviável. Ele precisou alugar uma sala extra para comportar os equipamentos deixados lá pelos clientes. Na oficina, as TVs de tubo ainda representam metade dos consertos, mas as de tela plana começam a avançar.

Para enviar os equipamentos à reciclagem, Mensório e os donos das mais de 20 mil oficinas de assistência técnica do País esbarram em outra questão: o direito de propriedade sobre os produtos. “É preciso autorização dos donos para nos desfazermos dos itens”, diz. Ele espera que a lei nacional de resíduos sólidos, sancionada na semana passada, ajude a desburocratizar a destinação dos produtos ao fim de sua vida útil.

O psicólogo Eber Fernandes de Matos, de Ribeirão Preto (SP), já tentou consertar televisão, home theater e uma impressora. Em todos os casos, o valor do conserto ficava entre 60% e 80% do preço de um produto novo e a espera seria de semanas.

“O problema é a curta durabilidade dos produtos e, entre pagar caro para ter o mesmo e pagar para ter um novo, fico com a segunda opção”, conta Matos. Para ele, o impacto ambiental da substituição deveria ser encarado pela indústria. “Ou o descartável vira biodegradável ou reaproveitável, ou investe-se num produto de maior longevidade.”

A chamada obsolescência programada, que é a estratégia utilizada pela indústria para garantir o consumo constante – os produtos deixam de funcionar após um período de tempo, tendo que ser substituídos por mais modernos – está na raiz do problema.

No longo prazo, no entanto, Mattar acredita que a tendência vai mudar. “O custo das matérias-primas deverá subir, por causa da escassez de recursos naturais que se já começa a enfrentar. A indústria terá de se adaptar”, diz Hélio Mattar, do Instituto Akatu, que incentiva o consumo consciente.

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