Pane telefônica: até o 190 ficou mudo em São Paulo durante a tempestade

Marcelo Moreira

08 de setembro de 2009 | 22h51

RENATO CRUZ – O ESTADO DE S. PAULO

Menos de duas semanas depois de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ter liberado a venda do Speedy, serviço de banda larga da Telefônica, a operadora sofreu nova pane. Dessa vez, foram os telefones fixos da Grande São Paulo, que começaram a apresentar problemas na manhã de ontem.

Em comunicado, a empresa reconheceu os problemas entre as 11 horas e as 12h10. Mesmo assim, muita gente já reclamava antes desse período e continuou a queixar-se depois.

“A situação da rede de voz foi normalizada às 12h10, havendo situações de instabilidade localizadas em uma pequena parcela de clientes residenciais, serviços 0800 e alguns clientes empresariais”, informou a empresa em comunicado. “As ações adotadas pela empresa produziram os efeitos esperados e os problemas localizados remanescentes estão sendo gradativamente resolvidos em um dia atípico de alta demanda pelos serviços de voz.”

A pane afetou os números de serviços essenciais, como Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, e teve reflexo nas redes celulares, que ficaram congestionadas em alguns momentos e tiveram dificuldades para completar chamadas.

Em 9 de junho, a Telefônica enfrentou um caladão em seu serviço de telefonia, que deixou de funcionar em todo o Estado no início da manhã. Depois de uma hora e meia, os telefones começaram a retornar gradualmente. Naquela ocasião, houve clientes que enfrentaram instabilidade durante o dia todo.

A Telefônica não informou os motivos do problema de ontem, citando somente, em seu comunicado, “um conjunto de oscilações na rede de serviço de voz”.

O engenheiro Virgilio Freire, ex-presidente da Vésper, empresa que concorria com a Telefônica, escreveu em seu blog que existem dois motivos prováveis para a pane: infiltração de água nos cabos subterrâneos e aéreos ou nas centrais. “Em ambos os casos, a causa está em instalação ‘capenga’, e na falta de manutenção preventiva”, escreveu Freire. “Manutenção preventiva é um procedimento adotado por empresas de primeira linha no setor. A Telefônica evidentemente não adota essa prática.”

Na avaliação da Anatel, a pane durou das 10h30 às 14 horas, mais do que disse a Telefônica, mas menos do que sentiram os clientes da operadora. Por meio de sua assessoria de imprensa, a agência informou que ainda está apurando o motivo do problema, as áreas afetadas e a quantidade de usuários prejudicados. A Anatel informou que os usuários serão ressarcidos pelo tempo em que o serviço ficou fora do ar.

As vendas do Speedy ficaram suspensas por dois meses por causa de panes recorrentes. Foram liberadas no fim do mês passado.

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