Palmito do Pará tem venda proibida em São Paulo

trindadeeleni

30 de janeiro de 2009 | 18h49

ELENI TRINDADE e SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

A Coordenação de Vigilância em Saúde do Município de São Paulo (Covisa), órgão vinculado à Secretaria Municipal da Saúde (SMS) da capital, decretou a interdição e proibiu a comercialização do lote 1401 do Palmito de Açaí em Conserva – Casa Blanca Premium, produzido pela Indústria e Comércio de Conservas Genialle Ltda, com sede na cidade de Santa Maria do Pará (PA).

Segundo informações da Covisa, o produto está em desacordo com a Resolução RDC nº17, de 19/11/99 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por apresentar valor de PH acima do limite estabelecido – problemas no PH podem levar o produto a se deteriorar com mais facilidade e permitir proliferação da toxina botulínica causadora do botulismo.

“É uma medida de cautela. Estamos colhendo amostras de palmito desde o ano passado para o programa de análise do padrão de qualidade do produto. Neste caso específico detectamos o nível de PH de 4.8, quando o nível máximo permitido é de 4.5”, explica Evanize Segala, subgerente de alimentos da Covisa.

A proibição da comercialização e a interdição do palmito vale apenas para o município de São Paulo. O recolhimento do produto deve ser feito imediatamente pela empresa fabricante e pelo comércio varejista onde os produtos forem encontrados.

O JT tentou entrar em contato com o produtor do palmito, mas não conseguiu. A empresa não mantém site na internet, assessoria de imprensa e nem mesmo o serviço de busca de telefones (102) do Estado do Pará soube informar o número de telefone da fábrica.

Quem tiver o produto em casa – mas não souber como identificar o lote – pode verificar se corre algum risco conferindo as datas de fabricação e validade do alimento – o lote interditado foi produzido em 14/10/2008 e tem validade até 14/10/2010. Se desejar, pode fazer denúncia à Covisa pelos telefones (011) 3550-6624 e 3350-6628 ou pelo e-mail: smscovisa@prefeitura.sp.gov.br.

BACTÉRIAS

Se o produto tem de seguir uma norma sobre o nível de PH e não a cumpre, deve ser interditado por oferecer perigo aos consumidores. É o que explica Rui Dammenhain, presidente do Instituto Brasileiro de Auditoria em Vigilância Sanitária (Inbravisa). “O PH indica a acidez do líquido conservante do alimento. Quanto mais baixo o PH, mais acidez no conservante e maior é a proteção contra a proliferação de bactérias”, explica. “No caso do palmito, o principal risco é de contaminação pelo micro-organismo Clostridium botulinum que causa o botulismo, uma doença grave que afeta o sistema nervoso central, causa paralisia muscular e pode levar à morte, mas nem sempre é diagnosticada precocemente porque os sintomas iniciais se confundem com os de várias outras doenças”, alerta Dammenhain.

“O consumidor deve ter cuidado ao comprar palmito em conserva. Nunca leve produtos em embalagens amassadas, estufadas ou com sinal de violação”, completa Evanize.

TOME CERTOS CUIDADOS

Nunca compre produtos com a tampa enferrujada

As embalagens com tampas de rosca devem ter o lacre intacto e ter a identificação de origem (razão social do fabricante, CNPJ e endereço completo)

Não se esqueça de conferir a data de validade e os registros obrigatórios no Ministério da Saúde e no Ibama

Antes de consumir o palmito, ferva o alimento por 5 minutos

Não comprar se o líquido conservante não estiver totalmente transparente. Líquido turvo é um indicativo forte de contaminação do produto

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