Nome sujo? Melhor tentar um acordo

Marcelo Moreira

03 de julho de 2011 | 07h15

Josué Rios – colunista do Jonral da Tarde

[O que motiva o consumidor a quitar a dívida com o banco não é só ficar livre da opressão da bola de neve do débito, mas também ficar longe das garras dos órgãos de proteção ao crédito.

Por isso, o sr. Furtado, o Consumidor, que não pode pagar a dívida de uma só vez, me faz uma pergunta essencial. “Se eu aceitar o parcelamento proposto pelo banco, o meu nome sai de imediato da Serasa, ou só me livrarei da restrição depois de pagar todas as parcelas do débito?”

Resposta: assinado o acordo, o banco deve retirar imediatamente nome do devedor da temida Serasa. “O acordo implica nítida regularização da situação da dívida, fazendo desparecer a inadimplência, o que torna imperiosa a baixa das restrições”, afirmou o desembargador, Gilberto dos Santos, da 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, ao julgar, na semana passada, como relator, o caso de uma devedora de Santo André que parcelou a dívida, mas a financeira manteve a negativação ativa na Serasa.

O voto de Gilberto dos Santos, foi acompanhado pelos demais desembargadores da 11ª Câmara, deixando claro que a pessoa que assina um acordo de parcelamento da dívida deixa de ser inadimplente, e não pode continuar com o nome sujo.

“E se eu atrasar o pagamento das parcelas do acordo?”, pergunta o sr. Furtado, o Consumidor. “Nesse caso, ocorre o pior dos mundos para o devedor”, respondo ao meu consulente de plantão. Quem atrasa o pagamento de uma só parcela do acordo volta à condição de inadimplente e o nome retorna, a pedido do credor, à tortura da Serasa, pelo longo prazo de cinco anos, tempo máximo da negativação.

Nesse caso, imagine alguém com o nome sujo há quatro anos, e faltando somente um ano para encerrar o “cumprimento da pena”, cometa a bobagem de assinar um acordo que não tenha condições de honrá-lo. Resultado: volta à tortura da negativação por mais cinco anos.

Conclusão: faça reunião com a família, e conte até dez, antes de aceitar um acordo que você não possa honrar o pagamento das parcelas após a assinatura. E anote um segredo: quando as empresas de cobrança de bancos, companhias telefônicas e financeiras de lojas percebem que o devedor resistiu bravamente aos primeiros anos de “prisão” nos órgãos de proteção ao crédito, os cobradores entram em pânico…

É nesse momento que começam as ligações desesperadas (e abusivas) para o devedor, tentando seduzi-lo com bons acordos. Lembre-se que no fim do ano tem até campanha para “limpar o nome,” a fim de que os devedores paguem as dívidas.

E por que o desespero dos cobradores após o terceiro ano da negativação do devedor? Simples: como cinco anos é o prazo máximo de permanência dos devedores nos órgãos de proteção ao crédito, à medida que esse limite se aproxima aumenta o risco para os credores de os “negativados,” se resignarem ao “castigo” até o final do prazo de cincos anos. Com isso, se livram, na prática, do pagamento dos débitos.

A negativação nos órgãos de proteção ao crédito não impede que bancos e demais cobradores exijam judicialmente o pagamento da dívida (este, aliás, é o caminho correto e convencional).

Só que, muitas vezes, os credores não recorrem à Justiça e apostam somente na coação e opressão dos órgãos de proteção ao crédito – e aí quebram a cara, como se diz, quando os “negativados”, resistem a pressão até o limite máximo da pena – cinco anos.

Melhor pagar as dívidas o mais rápido possível, claro. Todos ganham com isso. Mas ninguém é obrigado a fazer o que não pode. Para quem se encontra na situação de não ter como pagar o débito ou aceitar o acordo que não poder honrar, o “segredo” acima ajuda!

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