Noivas se queixam da imposição de serviços pelas igrejas

Marcelo Moreira

31 de agosto de 2009 | 20h02

CRISTIANE BONFIM e MARICI CAPITELLI – JORNAL DA TARDE

De todos os preparativos que um casamento exige, a escolha da igreja foi a parte mais difícil para Alessandra Simões, 23 anos. “A cerimônia tem que ser linda, por isso pesquisei bastante”, diz.

A procura acabou quando ela visitou a Igreja Santa Terezinha, em Higienópolis, na zona oeste. “Me encantei quando disseram que na hora da troca das alianças caíam pétalas de rosas do teto, como se fosse uma bênção de Deus.”

Depois do encantamento, vieram as imposições. “Nunca imaginei que teria regras para casar. Além da taxa de casamento, de R$ 1 mil, fui obrigada a escolher os profissionais indicados no guia da noiva. Eles disseram que não permitem gente de fora!”

Mesmo assim, Alessandra aceitou as exigências e subiu no altar ontem. “É um absurdo. O sonho é meu e a igreja quer dar pitaco. Assim como eu, muitas aceitam porque querem a igreja x ou y”, diz. Os preparativos levaram dez meses. “Tem que ser perfeito.”

Organizando o casamento há oito meses, a dentista Juliana Kato, de 32 anos, aprendeu que é preciso ter “cabeça feita” para resistir a todos os serviços que são oferecidos aos noivos e não extrapolar o orçamento.

“Casamento é tratado como um megaevento. Tudo é muito caro e os profissionais sempre usam a mesma estratégia dizendo que é uma única vez na vida. Mexem com o seu sonho.”

Juliana e o noivo, o gerente financeiro Gustavo Liberali terão um casamento diferente. No dia 3, quinta-feira, irão a igreja católica somente com os pais e os padrinhos para receber a bênção de um padre. “É só a bênção mesmo, sem nenhuma pompa”, diz.

Mas no sábado, o casal oficializa a união com o que sonhou: uma festa em um sítio para 200 convidados. “Nós não queríamos casar dentro de uma igreja e por isso escolhemos um espaço aberto.” Segundo a noiva, ela terá uma celebração com todos os detalhes que sonhou, e sem as “multas”.

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