Nem sempre sumiço de empresa é desonestidade

Marcelo Moreira

12 de abril de 2010 | 19h46

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

 

Nem todos os sites que fogem do consumidor são golpistas. Alguns pertencem a empresas regulares, mas que prestam um serviço de péssima qualidade, desrespeitam o Código de Defesa do Consumidor e não somem totalmente – mas acabam ignorando as queixas, protelando e enrolando o comprador.

Nesses casos, o melhor a fazer é insistir em todas as formas de contato da empresa (SAC, e-mail, telefone, enviar carta ou comparecer ao endereço, reclamar na ouvidoria e outros setores). Foi assim que a psicóloga Selma Rejane Cetani, de 52 anos, conseguiu receber, após três meses, um celular.

“Comprei o produto no dia 24 de dezembro e a entrega começou a demorar. Quando liguei para reclamar, percebi que muitos números de telefone não existiam. No site não havia CNPJ nem endereço. Mandei e-mails e não tive resposta. Pensei que fosse golpe”, conta ela que conseguiu um contato da empresa via Messenger (software de mensagens instantâneas). “Responderam que a Receita Federal estava demorando para liberar o produto. Demorou, mas chegou no começo de abril.”

Se o consumidor não for atendido mesmo depois de muita insistência, é recomendável procurar o Procon da sua cidade. “Deve registrar reclamação no Procon e, com o CNPJ, pode até consultar as reclamações da empresa e conseguir o endereço na junta comercial”, explica o diretor de atendimento do Procon-SP, Robson Campos.

 Outra opção é acionar a Justiça o mais rápido possível. “Quanto mais rápido o consumidor agir, mais chances tem de ser ressarcido. Mesmo que a empresa esteja falindo, os proprietários respondem pelos débitos”, explica Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste).

Porém, se o consumidor não souber o CNPJ da empresa, pode descobri-lo em contato com outras vítimas, na internet. Ou então descobrir o verdadeiro nome da empresa, já que muitos sites divulgam apenas o nome fantasia. Isso também pode ser descoberto verificando as informações do boleto emitido pela empresa.

“Se procurar pelo nome fantasia, o consumidor nunca vai encontrar a verdadeira empresa dona do site e nem descobrir o CNPJ”, explica Maria Inês. “Se nada disso adiantar, a possibilidade de ser golpe é grande”, diz.

“Nesse caso, o melhor é procurar as autoridades competentes, como a delegacia do consumidor. Mesmo assim, ele pode denunciar o caso ao Procon para que o órgão tome conhecimento das lojas virtuais golpistas”, afirma Campos.

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