Na prática, bancos devolvem o dinheiro de fraudes em cartão

Marcelo Moreira

03 de novembro de 2008 | 17h12

MARCOS BURGHI – JORNAL DA TARDE

O JT apurou junto a fontes do mercado de cartão de crédito que os bancos têm por prática ressarcir todas as despesas feitas irregularmente desde que comprovadas.

De acordo com um executivo do setor que preferiu não se identificar, quando um consumidor não reconhece uma compra feita com seu cartão de crédito e comunica à administradora, o valor é estornado e não cobrado até que o processo de investigação aberto pela administradora seja concluído. “Os novos cartões contam com chip e senha eletrônica para proteger o consumidor no momento da transação”, garante.

Apesar das inovações que a indústria de cartões afirma promover, há usuários do plástico que têm dificuldades em resolver o problema. Foi o caso da atendente Renata Mendes, 25 anos. Em março, ela foi vítima de roubo e afirma que comunicou a ocorrência à administradora de seu cartão meia hora depois.

Segundo ela, a conversa transcorreu bem até que informou que não era correntista do banco. “Na hora me disseram que eu não tinha direito ao ressarcimento”, conta.

Segundo Renata, a atendente alegou, ainda, que a devolução dos valores das compras não seria possível porque ela não tinha o seguro contra perda, furto ou roubo. “Isso porque eu era cliente da administradora há mais de cinco anos”, diz.

Ao todo, os prejuízos, alega, chegaram a R$ 1,6 mil. Ela também afirma que as compras feitas após o roubo estavam completamente fora de seu perfil de consumidora. “Foram despesas em farmácias feitas quase que simultaneamente e eu nunca usei o cartão para este tipo de compra”, garante.

De acordo com a consumidora, ela costuma usar este meio de pagamento apenas em emergências.

Renata afirma que só conseguiu o estorno das compras na fatura depois que a administradora foi pressionada por órgãos de imprensa, entre os quais o JT. “Mesmo assim, foi apenas verbal porque se recusaram a enviar e-mail com o acordo formalizado”, afirmou.

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