Mutirão reúne devedores e credores em SP

Inadimplentes e credores reunidos no mesmo lugar. Esse é o cenário do mutirão “Acertando as contas”, que começou ontem no Pátio do Colégio, centro de São Paulo, com estandes de seis empresas – Vivo, Net, Casas Bahia, Pernambucanas, Credicard e Itaú

Marcelo Moreira

23 de novembro de 2010 | 08h18

Roberta Scrivano

Inadimplentes e credores reunidos no mesmo lugar. Esse é o cenário do mutirão “Acertando as contas”, que começou ontem no Pátio do Colégio, centro de São Paulo, com estandes de seis empresas – Vivo, Net, Casas Bahia, Pernambucanas, Credicard e Itaú – dispostas a negociar, com desconto, os débitos dos clientes que comparecerem ao evento.

Regado a refrigerante e pipoca gratuitos, o primeiro dia do evento atraiu cerca de mil pessoas interessadas em negociar, segundo o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), organizador do mutirão. Além dessas pessoas, outras centenas passaram apenas na recepção para verificar se havia restrições no nome.

Apesar da multidão presente, as histórias dos endividados se repetem. Os problemas mais recorrentes são: dívida no cartão de crédito, devolução de cheques, pagamento de empréstimo ou carnê em atraso.

João Roberto Marcondes, de 22 anos, por exemplo, está com seu nome sujo há quase dois anos. “Dos sete estandes que têm aqui, eu devo para três”, diz. Itaú, Casas Bahia e Pernambucanas são os seus credores.

O principal obstáculo para regularizar a situação, conta, são os cheques devolvidos. “Assinei três cheques e dei para a minha namorada de presente”, afirma.

A namorada, tão jovem quanto ele, gastou duas das folhas em uma loja de sapatos. A outra foi entregue no salão de cabeleireiro. “O cheque não parece dinheiro. Mas agora aprendi que quando ele é devolvido acaba custando muito mais do que o valor que está escrito”, comenta.

Cerca de 40 minutos depois de ter entrado no mutirão, Marcondes termina as negociações. “Devia R$ 29 na Casas Bahia e já quitei. Negociei com a Pernambucanas, mas como eles não aceitam o pagamento aqui estou levando um carnê. Só faltou mesmo o Itaú. No estande vi o que devo fazer para resgatar e entregar os cheques”, diz o jovem, que é garçom em um bufê infantil.

Agora, há ainda a possibilidade de checar as restrições no nome e negociar débitos no site do SCPC (www.apoioaoconsumidor.com.br). Na página da web, o consumidor pode negociar com cerca de 80 empresas do setor financeiro, varejistas e prestadores de serviços. A página de negociações ficará disponível até o dia 22 de dezembro.

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