‘Minibugs’ em bancos e empresas são cada vez mais frequentes

Marcelo Moreira

21 de junho de 2011 | 17h18

Leandro Modé e Roberta Scrivano

Há duas semanas, milhares de clientes do Itaú, maior banco privado brasileiro, tomaram um susto. Sem razão aparente, os saldos de suas contas correntes sumiram. Dez dias atrás, correntistas da Caixa Econômica Federal, quarto maior banco do País, não conseguiram fazer saques nem usar cartões durante dois dias.

Em ao menos duas madrugadas no meio da semana passada foi a vez de clientes do Bradesco, terceiro maior do setor, não poderem efetuar pagamentos com cartões.

Esses “minibugs” têm sido cada vez mais frequentes, apesar do investimento das instituições financeiras em tecnologia. No ano passado foram R$ 22 bilhões, 15% a mais que em 2009. O consumidor não se impressiona com esses bilhões. Quer seu dinheiro seguro. Insatisfeito, ele faz reclamações nos órgãos responsáveis.

Segundo o Procon de São Paulo, a quantidade de queixas relacionadas ao uso da tecnologia dos bancos cresceu 10% no primeiro trimestre ante igual período do ano passado. Em relação ao último trimestre de 2010, a alta foi de 9%.

Foram 552 reclamações nos três primeiros meses de 2011, ante 496 e 507 dos períodos anteriores. As queixas de clientes no Banco Central (BC) também são pequenas em números totais, mas crescem em proporção até maior que as do Procon-SP.

As chamadas reclamações procedentes – demandas em que se constatou descumprimento de regras do Conselho Monetário Nacional ou do BC – saíram de 371 em janeiro de 2010 para 792 em março deste ano, alta de 113%. Em abril, foram 602 queixas.

São números relativamente baixos em relação às 141 milhões de contas correntes no País. No entanto, a supervisora do Procon-SP, Renata Reis, pondera que os clientes têm vários canais para se queixar, como a Justiça e o BC. “Se pensarmos de maneira mais ampla, podemos dizer que recebemos até queixas demais”, diz. Em 2010, o Itaú e o Bradesco apareceram entre as empresas mais reclamadas no Procon-SP.

Para o diretor para serviços financeiros da empresa de tecnologia Logica, Paulo Martins, os brasileiros devem se preparar para mais “minibugs”. Ele diz que o sistema bancário brasileiro tem duas restrições estruturais na área tecnológica.

A primeira é que foram criados de forma “picada”, por várias empresas diferentes. O segundo ponto são as fusões e aquisições, que puseram sob o mesmo guarda-chuva instituições de sistemas distintos.

O analista de sistemas Thiago Trivelato, 27 anos, está com a conta com saldo negativo desde o dia 24 de maio, quando houve a pane no sistema do banco Itaú. “E não há meio de resolver”, comenta.

Ele detalha que, do dia para a noite, o saldo da sua conta caiu de R$ 40 para R$ 623 negativos. No extrato, consta que houve uma transferência para a ‘conta investimento’. “E eu não tenho investimento. Tenho apenas uma conta salário”, diz.

Segundo ele, o banco assume o erro mas diz que não poderá reembolsá-lo. “E eu não sei o que fazer. Gravei as minhas conversas com o gerente do banco e anotei todos os protocolos gerados pela central de atendimento, mas não há meio de resolver o problema.”

Procurado pela reportagem, o banco afirma que “não há erro no saldo atual do Sr. Thiago. Os valores atualmente existentes têm como origem as transações bancárias realizadas por ele.”

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