Menos gente empresta o nome para financiamento

Marcelo Moreira

14 de junho de 2009 | 20h53

ELENI TRINDADE – JORNAL DA TARDE

Modalidade que está entre as que mais causam problemas financeiros, “emprestar” o nome a um amigo ou parente para a compra de um bem está ficando fora de moda. É o que revela a pesquisa Perfil do Inadimplente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Em março de 2008, por exemplo, 13% declararam estar inadimplentes por esse motivo. Após alguns meses, em setembro de 2008, eram 17%. Em março deste ano, apenas 8% declararam estar endividados por terem emprestado o nome.

Com uma redução de cerca de 50% comparando-se as últimas duas pesquisas, essa foi a causa de inadimplência que mais caiu no período em comparação com desemprego, doença na família ou descontrole de gastos.
“Estamos em tempos de crise econômica e restrição da oferta de crédito.

Por isso mesmo intensificamos uma campanha de conscientização chamada ‘Seu nome é seu maior patrimônio'”, afirma Roseli Garcia, superintendente de Produtos e Serviços das ACSP.

As pessoas estão bem mais cautelosas diante do cenário econômico, acredita Marcos Silvestre, economista e coordenador do Centro de Estudos de Finanças e Empreendedorismo (Cefipe).

Para ele, “o conto de fadas acabou” com o fim da expansão do crédito dos últimos quatro anos. “Nos últimos anos, mais gente foi para o mercado de consumo e passou a ter poder de compra e a emprestar o nome.

Agora, com a diminuição do crédito e a crise econômica, sentiu-se o gosto amargo desse tipo de experiência”, diz ele, referindo-se aos calotes.
Já Luis Carlos Ewald, economista da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-Rio) é mais incisivo.

“Dizer que está endividado porque emprestou o nome é uma desculpa clássica e acredito que corresponde à mais da metade dos casos. As pessoas acham que sensibilizam os credores dizendo que o amigo ou parente não tinha dinheiro para pagar.”

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