Material escolar de ‘grife’ sai até 465% mais caro

Produtos com personagens de desenho animado custam bem mais do que os sem esses motivos. Uma pasta de plástico lisa é vendida por R$ 1,45 e outra semelhante com estampa do Homem Aranha é encontrada por R$ 8,20

Marcelo Moreira

09 de janeiro de 2011 | 08h48

Ligia Tuon

O preço do material escolar pode variar até 465% em uma mesma loja. É o caso da pasta de plástico lisa, que custa R$ 1,45 e outra de mesmo material e modelo mas com o desenho do Homem Aranha, que sai por R$ 8,20, no Armarinhos Fernando conforme constatou a reportagem do Jornal da Tarde.

Por isso, se a ideia é economizar, evite os personagens da moda e fique atento às dicas de especialistas para gastar com consciência. “Ao levar as crianças para comprar o material escolar, os critérios deixam de ser unicamente dos pais.

Ou seja, você provavelmente não vai comprar tudo mais barato como faria se estivesse sozinho”, diz o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Fábio Pina. “Mas é claro que esta é uma decisão de cada família”, acrescenta.

A diretora administrativa Vera Scalioni já começou a comprar materiais escolares e levou as duas filhas. “Vim com as crianças agora, para evitar lojas cheias no final do mês, mas elas querem sempre o mais caro”, diz.

A segunda maior diferença de preço, de 438%, foi encontrada no estojo. O produto com o personagem infantil Ben 10 custa R$ 11,30 e outro, de mesmo tamanho e material, mas com desenhos do Smile sai por R$ 2,10 também no Armarinhos Fernando.

“A indústria lança todo ano produtos com novos personagens que chamam a atenção das crianças. Por isso, tente evitar a compra de materiais só por causa das estampas. Estes geralmente são bem mais caros”, explica Polyanna Carlos Silva, advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

A nutricionista Priscila Piva também levou os filhos para comprar o material escolar, mas foi mais rígida. “Não deixo que eles escolham tudo. Senão a compra fica caríssima”, afirma ela enquanto tira um estojo do personagem Ben 10 do carrinho. “Este meu filho não vai levar”, diz.

Outra dica dos especialistas é sempre fazer a pesquisa de preços com a maior antecedência possível. “Pode haver uma diferença grande entre uma loja e outra. Por isso, os pais precisam de tempo e paciência”, afirma Pina, da Fecomércio. “Se você deixa para a última hora, provavelmente vai ser obrigado a gastar mais. Além de correr o risco de não encontrar uma variedade grande de produtos disponíveis”, ressalta.

Comprar em conjunto também pode garantir bons descontos. “Os pais podem combinar com outros de comprar o material em lugares que vendem por atacado ou até pedir descontos nas lojas do varejo. Quando a força da compra é grande, o poder de barganha é maior”, aconselha o educador financeiro Reinaldo Domingos.

Os materiais dos anos anteriores também devem ser considerados. “Tem muito material que ainda dá para ser usado. Não precisa comprar tudo de novo”, ressalta Domingos. “A mesma regra vale para livros escolares do irmão mais velho, por exemplo.”

Preço menor

A boa notícia é que, nos supermercados, os preços dos materiais escolares estarão iguais ou até um pouco menores do que nos anos anteriores. “Há uma tendência de preços menores para materiais escolares nos supermercados, principalmente, por causa do dólar desvalorizado, já que grande parte dos produtos são importados”, afirma Orlando Morando, vice presidente e diretor de comunicação da Associação Paulista dos Supermercados (Apas). A associação espera um crescimento de 3% nas vendas desses materiais para 2011.

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