Manutenção da Eletropaulo tem falhas, diz Aneel

Marcelo Moreira

21 de junho de 2011 | 07h18

Karla Mendes e Edna Simão

As interrupções no fornecimento de energia elétrica na região metropolitana de São Paulo são reflexos da falta de manutenção na rede da Eletropaulo. A análise é da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável pela fiscalização das empresas do setor.

Segundo o diretor-geral do órgão, Nelson Hübner, os indicadores da concessionária pioraram e não há justificativas para os consumidores enfrentarem até 48 horas sem luz.

Hübner prometeu ontem que irá apertar a fiscalização em cima da Eletropaulo. Uma das primeiras iniciativas da Aneel foi solicitar à concessionária um plano detalhado sobre a manutenção e a operação da empresa. “Vamos analisar todos os dados da situação da Eletropaulo”. Em abril, os paulistanos que são clientes da distribuidora ficaram cerca de 10 horas sem energia elétrica.

Apesar disso, Hübner ponderou que há outras concessionárias de energia elétrica com índices bem piores que os da Eletropaulo. “Se fôssemos pegar os indicadores (DEC e FEC), teríamos que fazer intervenção em metade das empresas (que têm índices piores que da Eletropaulo)”, afirmou o diretor da Aneel, referindo-se ao pedido de intervenção do Procon na companhia paulista.

 Dados da Aneel mostram que na região Sudeste o índice de duração da interrupção do fornecimento de energia da Eletropaulo é pior que o da Escelsa, que atende o Espírito Santo e registrou 9 horas sem luz elétrica para seus clientes em abril.

O índice da distribuidora paulista, porém, ficou melhor do que o registrado pela Cemig (18 horas), que presta serviço em Minas Gerais, e Light (14 horas), que opera no Rio de Janeiro.

Outras concessionárias, porém, têm índices alarmantes. Os consumidores do Pará foram os que mais sofreram com a má prestação de serviço: ficaram 105 horas no escuro em abril. No Amapá, a interrupção do fornecimento de energia elétrica pela distribuidora local atingiu 68 horas.

O compromisso de aumentar a fiscalização na Eletropaulo foi assumido por Hübner em reunião com o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal.

O secretário também esteve com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para apresentar indícios de que a Eletropaulo está priorizando o aumento dos lucros ao invés de focar na melhoria de atendimento ao consumidor. “Estamos com vários indícios de que a empresa não está fazendo os investimentos em manutenção e na contratação de equipes”, afirmou Aníbal.

A Eletropaulo foi procurada pela reportagem do Jornal da Tarde, mas não se pronunciou sobre as críticas da Aneel.

Tudo o que sabemos sobre:

AneelapagãoEletropaulo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: