Mais paulistanos endividados

Para a maioria dos paulistanos, o mês de janeiro tem sido uma espécie de ressaca da festa de consumo ocorrida ao longo de 2010. De acordo com pesquisa da Federação do Comércio, 1.836.515 famílias de São Paulo começaram o ano endividadas – 247 mil a mais que em janeiro do ano passado.

Marcelo Moreira

27 de janeiro de 2011 | 17h50

Carolina Dall’Olio

Para a maioria dos paulistanos, o mês de janeiro tem sido uma espécie de ressaca da festa de consumo ocorrida ao longo de 2010. De acordo com pesquisa da Federação do Comércio, 1.836.515 famílias de São Paulo começaram o ano endividadas – 247 mil a mais que em janeiro do ano passado.

Do total de consumidores que têm algum tipo de dívida hoje, 15% admitem ter alguma prestação em atraso e outros 6% avisam que não vão conseguir pagar ao menos uma das contas. É hora de conhecer o lado ruim do melhor Natal da história.

As vendas de dezembro de 2010 foram 8% maiores que as do mesmo período do ano anterior, um recorde. Tudo porque, com taxas de desemprego nos patamares mais baixos da história, o trabalhador teve segurança para ir às compras. E o crédito deu o empurrão que faltava. O volume de empréstimos e financiamentos cresceu 20,5% em 2010, totalizando R$ 1,703 trilhão – outro recorde.

“Os financiamentos foram o grande motor do consumo no ano passado, mas isso não deve continuar ocorrendo em 2011 porque as taxas de juros já estão mais altas e devem continuar subindo”, analisa o economista Francisco Luiz Lopreato, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Por isso, o endividamento das famílias não é preocupante. Como o crédito deve ficar mais caro, as pessoas não vão buscar financiamentos como antes e o endividamento só tenderá a diminuir de agora em diante.”

Dívida no cartão

Mas se para a economia do País o nível de endividamento das famílias não é considerado preocupante, para quem está cheio de contas para pagar a realidade é bem diferente. “A gente compra as coisas e depois se vira para pagar”, admite o motorista Anderson Carlos Souza, de 35 anos.

Souza ainda paga no cartão de crédito as prestações de uma compra que ele nem se lembra mais. “Não sei o que eu comprei, mas sei que parcelei em 12 vezes”, diz. E, no Natal, ele resolveu acumular mais uma despesa: adquiriu um micro-ondas em quatro parcelas.

Somadas as duas compras, a fatura mensal do cartão é de R$ 200. Mas Souza tem pago só R$ 120, o resto ele deixa embolar com os juros médios de 10% ao mês que os bancos cobram nessa modalidade de crédito. “Tento pagar tudo, mas não tem dado certo.”

Do total de pessoas com dívidas, 70,8% delas fizeram compras com cartão de crédito. “O endividamento não preocupa. O que preocupa é a natureza da dívida”, ressalta Fernanda Della Rosa, assessora econômica da Federação do Comércio. “No cartão de crédito, o problema é que se a pessoa ficar sem dinheiro, ela vai pagar os maiores juros do mundo.”

O consultor em finanças pessoais Antonio de Julio arremata: “o difícil é conseguir sair desse tipo de dívida, que cresce de maneira rápida.”

Por isso, o consultor recomenda ação imediata. “É melhor fazer um trabalho extra para ganhar mais dinheiro, vender algum bem ou pedir empréstimo mais barato para sair da dívida rapidamente, antes que vire uma bola de neve.”
Mas para quem sabe usar o cartão, ele pode ser um aliado.

Com cinco filhos para presentear no Natal, a dona de casa Maria Aparecida Cardoso, de 50 anos, parcelou as compras natalinas em três vezes no cartão. “Comprei sem juros e vou pagar tudo em dia. Então saí em vantagem”, afirma.

Tudo o que sabemos sobre:

dívidasendividamentoFecomercio

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: