Maioria dos usuários quer trocar de plano

Marcelo Moreira

08 de setembro de 2009 | 22h47

FELIPE WERNECK – O ESTADO DE S. PAULO

Pesquisa realizada pela empresa CVA Solutions com 5.261 usuários de 39 planos de saúde privados de São Paulo e do Rio aponta que 54% gostariam de trocar de operadora.

A chamada portabilidade de carências vale desde abril, mas nem todos os entrevistados podem adotá-la, já que a maioria (53%) tem plano vinculado à empresa em que trabalha.As entrevistas foram feitas em junho e julho, nas duas regiões metropolitanas.

Sócio e diretor da CVA, Sandro Cimatti atribui o resultado à avaliação dos planos de saúde. Dos vários segmentos que auditamos, os planos de saúde tiveram a pior avaliação. A nota média este ano foi 6,27, menor que a do ano passado, quando fizemos o estudo pela primeira vez (de 6,69). Perdem até para bancos e empresas de telefonia celular, afirma Cimatti.

Desde 15 de abril, os usuários de planos individuais contratados a partir de janeiro de 1999 podem trocar de operadora sem ter de cumprir carência que limite a cobertura de procedimentos. A portabilidade de carências pode beneficiar cerca de 15% (6 milhões) do total de usuários de planos de saúde no País.

A pesquisa mostra que, dos entrevistados que declararam a intenção de mudar de plano, 49% estão há pelo menos quatro anos com a mesmaoperadora e 29%, há oito anos ou mais.

O estudo também traçou um perfil dos usuários. Entre os entrevistados, 40% têm sobrepeso, 23% são obesos e 18%, fumantes. Segundo a CVA, 59% estariam dispostos a aderir a programas de prevenção oferecidos pelos planos (como antitabagismo), desde que houvesse uma redução das mensalidades.

Entre os benefícios desejados pelos usuários, a pesquisa relaciona, em ordem de importância: check-ups periódicos, descontos em medicamentos, programas de fisioterapia, plano odontológico, programas de vacinação, terapias alternativas (como acupuntura e homeopatia), nutricionista, programas para emagrecer e para parar de fumar, descontos em academias, seguro desemprego e seguro de vida.

Procurada ontem, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não comentou o estudo. A ANS informa que o primeiro balanço sobre a portabilidade será divulgado em outubro, quando a medida completará seis meses.

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