Maioria desconhece quanto paga de tarifa de banco

Marcelo Moreira

16 de junho de 2012 | 08h38

GISELE TAMAMAR

A maioria dos brasileiros não sabe quanto paga de tarifa aos bancos. Pesquisa da Fecomércio-RJ/Ipsos mostra que o desconhecimento atinge 68% dos entrevistados em nove regiões metropolitanas, incluindo São Paulo. Em 2008, essa parcela era de 67% e chegou a cair para 60% em 2010, alcançando o maior patamar este ano.

O valor cobrado também não é levado em consideração na escolha do banco para se tornar cliente por 59% dos participantes do levantamento. Há quatro anos, o porcentual era menor: 49%.

Na avaliação do economista da Fecomércio-RJ Christian Travassos, pelo menos três fatores colaboram para essa situação. O primeiro é um relaxamento do consumidor em virtude do aumento do poder aquisitivo: isso o leva a considerar que uma tarifa de R$ 20, por exemplo, não causa um impacto tão grande no orçamento. “Essa é uma visão equivocada”, diz Travassos. Para exemplificar, o economista destaca que se uma pessoa investir R$ 20 por mês em uma aplicação com rentabilidade de 0,5% ao mês, ela terá R$ 3.293,97 no final de dez anos.

Outro fator inclui uma parte da população sem o hábito de conferir o extrato e consequente desconhecimento do valor da tarifa. Já uma outra parcela vê o banco como uma novidade, tem vergonha de argumentar com o gerente ou desconhece a possibilidade de negociação para reduzir o valor cobrado. Quem perde com a falta de informação é o próprio cliente, que pode acabar pagando por um pacote de serviços inadequado a seu perfil.

A diretora de estudos e pesquisas do Procon-SP, Valéria Rodrigues Garcia, lembra ainda que o cliente não é obrigado a ter um pacote. “Quando você vai abrir uma conta, o funcionário pergunta qual pacote você vai querer. Eles nunca dizem que uma das opções é não ter um pacote”, afirma. Resolução do Banco Central obriga os bancos a oferecerem alguns serviços gratuitos.

Aumento de cobrança

“Também é preciso ficar atento com os aumentos de tarifas”, completa Valéria. Levantamento do Procon-SP comparou pacotes dos bancos em maio de 2011 e maio deste ano e constatou uma elevação de até 41,58% no preço de um conjunto de serviços do Itaú. O valor cobrado passou de R$ 9,50 para R$ 13,45.

Sobre a pesquisa, o Itaú afirma que conforme o relacionamento com o banco, o cliente tem desconto nos valores e que o pacote apontado na pesquisa não tinha reajuste desde 2008 e não é mais oferecido. “Mesmo que ele não seja mais comercializado, outros clientes continuam com esse pacote e podem mudar. Por isso, é preciso manter-se informado”, lembra Valéria.

A orientação dos especialistas é tentar negociar com o banco o pacote mais adequado segundo sua necessidade. O primeiro passo é saber o valor pago todos os meses e, depois, conhecer o perfil para argumentar com o gerente.

“O cliente pode receber o salário no banco, ter financiamentos, investimentos. Isso facilita uma redução ou até uma isenção de tarifas”, orienta o economista da Fecomércio-RJ. O cliente também pode fazer uma consulta em outros bancos para saber o que é oferecido para ajudar na negociação.

O radialista Luiz Henrique Faria, de 52 anos, acompanha de perto as cobranças. “Sei quanto pago e procuro negociar as tarifas”, conta. Ele diz que confere o extrato pelo menos uma vez por semana.

Já a auxiliar de escritório Viviane Mirian Florentino Caetano Szocs, 31 anos, integra a maior parte da população que não dá muita atenção às tarifas. “Não tenho certeza quanto pago”, diz.

Viviane também não considerou o valor antes de escolher o banco. Para não ter preocupações com tarifas, a cabeleireira Clédia Marta Costa Barreto Silva, 40, optou há um ano em manter só uma conta poupança. “Não faço muitas transações bancárias e preferi a poupança para não pagar tarifas.”

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