Lista de espera por cadeirinha veicular

Pais que estão atrás das cadeirinhas para o transporte dos filhos têm sido obrigados a encarar listas de espera de até 80 pessoas nas lojas para comprar o acessório. O produto, que está em falta tanto nos estabelecimentos físicos quanto na internet, é o chamado assento de elevação ou booster

Marcelo Moreira

18 de setembro de 2010 | 08h20

Gisele Tamamar

Pais que estão atrás das cadeirinhas para o transporte dos filhos têm sido obrigados a encarar listas de espera de até 80 pessoas nas lojas para comprar o acessório. O produto, que está em falta tanto nos estabelecimentos físicos quanto na internet, é o chamado assento de elevação ou booster, obrigatório para crianças de 4 a 7 anos e meio.

 Em vigor desde o dia 1º, a Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabelece que crianças de até 1 ano devem ser transportadas no bebê conforto e as de 1 a 4 anos, em cadeirinhas, e o booster para as mais velhas  ou com peso acima de 15 kg.

A lista da loja Good Baby, no Ipiranga, tem 80 nomes. “Diariamente 30, 40 pessoas vêm à loja para comprar as cadeirinhas, fora as dezenas de ligações”, conta o proprietário Luiz Carlos Grilli. Na quinta-feira ele recebeu 20 peças, que se esgotaram em menos de uma hora.

“Todo dia tem gente procurando os assentos e temos uma lista de espera com 20 nomes”, afirma Marlene Silva, gerente da loja Tokkio, na Mooca. Já o proprietário da Casa do Bebê, na Bela Vista, Januário Canale Neto, resolveu abolir a lista de reserva, que chegou a conter 100 clientes. “A demanda é muito grande e não temos como garantir o produto.”

A Alô Bebê, em Perdizes, recebeu 100 assentos na quarta-feira. “Acabaram no mesmo dia. Ligamos para as clientes que deixaram telefones, mas não reservamos”, diz a gerente Kate Chagas.

A procura é tanta que, para este ano, a fabricante Burigotto não recebe mais pedidos de cadeiras para crianças com mais de 15 kg. Já a Infanti esperava vender 500 mil unidades em 2010. Entretanto, refez os cálculos e agora espera comercializar 850 mil até dezembro.

 Os pais que não conseguem comprar o produto correm o risco de serem multados. A penalidade é de R$ 191,54, além de sete pontos na carteira de habilitação. É o caso da estudante de veterinária, Mariana Leme, 31 anos, que ontem procurava um booster para a filha Rafaela, de 4 anos. “Concordo com a lei, mas com o produto em falta corremos o risco de sermos multados”, diz.

A psicóloga Patrícia Imakuma, 29 anos, foi até a loja procurar um modelo para a filha Pietra, 5 anos, sem sucesso. “O intuito da lei é bom, mas ela também é contraditória e não exige de táxis e vans escolares, por exemplo”, afirma.

Tudo o que sabemos sobre:

Alo Bebêcadeiras infantiscadeirinhas

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.