Feiras livres dão uma 'banana' para a lei

Marcelo Moreira

16 de setembro de 2009 | 22h26

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

A lei entrou em vigor ontem, mas assim mesmo comerciantes continuaram vendendo banana por dúzia, em vez de informar o preço por quilo – que fere a lei estadual 13.174. A reportagem do JT foi às ruas e constatou que donos de muitas barracas nas feiras livres não gostaram da lei e preferem continuar com a tradicional dúzia. Estão agora sujeitos a multa de R$ 317 a R$ 317 mil.

O JT visitou seis feiras livres nas zonas leste (Vila Prudente e Vila Bela), oeste (Pompéia, Lapa e Vila Hamburguesa) e norte (Casa Verde) da capital. Na maioria dos casos, as barracas de banana sequer tinham balança para pesar o produto.

Por outro lado, duas barracas que dispunham do equipamento (na feira da rua Tavares Bastos, na Pompéia) não informavam o preço por quilo da fruta e continuavam vendendo por dúzia. “Eu acabei de comprar por dúzia. Ninguém na feira me falou nada sobre isso”, diz a artista plástica Lígia Cortacoi, 43 anos, que compra semanalmente na rua Pitinga, na Vila Bela.

Feirante há 25 anos, José Domingos, 71, não está feliz com a mudança. “Não consultaram agente e colocaram a lei goela abaixo. Os próprios consumidores não estão gostando, pois vai ficar mais caro. Vão ter que pagar até o talo da penca de bananas. Além disso, um quilo não soma uma dúzia, mas, apenas cerca de 9 frutas. Com isso o valor da dúzia deve aumentar.”

A preocupação do consumidor também é com o preço. “Prefiro por dúzia, mas o importante é não ficar mais caro”, diz Elisangela Ribeiro, 23 anos, que compra bananas na feira da rua José dos Reis, na Vila Prudente.

Mas o preço da fruta deve subir, segundo o professor e consultor em finanças Marcos Crivelaro. Ele prevê que o feirante terá que investir cerca de R$ 1 mil em uma balança de precisão, mas a maior dificuldade será balancear o valor entre as bananas menores e maiores do mesmo tipo, para ter um preço médio. “Até o feirante ‘acertar a mão’, a dúzia aumenta até 50%. Quem ganha são os produtores e os supermercados.”

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