Lâmpadas devem ter selo de eficiência energética

crespoangela

03 Janeiro 2008 | 16h05

SAULO LUZ

Desde o dia 13 de dezembro não podem mais ser comercializadas lâmpadas sem a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence). “As lâmpadas, assim como todos os produtos que aderirem ao Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) tem de ter a Ence. A idéia é que o consumidor priorize aqueles com maior eficiência energética”, diz Leonardo Rocha, engenheiro do Inmetro na Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade, um dos responsáveis pelo PBE.
A obrigatoriedade foi definida há um ano, após regulamentação do Ministério de Minas e Energia, e define os níveis mínimos de eficiência energética de lâmpadas fluorescentes compactas, proposta do Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE).
Em junho de 2006, o ministério tornou o selo obrigatório e estipulou o prazo para as empresas se adaptarem. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (ABilumi), Alexandre Cricci, apesar de a totalidade das lâmpadas fluorescentes compactas vendidas no País ser importada, a maioria das lâmpadas no mercado já está com a etiqueta. “Poucas estão sem o selo, mas, como o Brasil é um país muito grande é possível encontrar alguns lotes finais sem o selo”, diz.
Segundo a determinação, produtores, importadores e comerciantes de produtos de iluminação deverão seguir a nova regra e produtos que não estejam de acordo deverão ser retirados das prateleiras. Pela etiqueta, que normalmente fica no verso da embalagem, o consumidor poderá saber se o produto que está comprando tem alto ou baixo consumo de eletricidade. O selo possui uma tabela hierárquica com letras de A a G. Etiquetas que sinalizam a letra A demonstram que o produto está no padrão mais econômico. Já com a letra G são as lâmpadas menos eficientes energeticamente. “O selo traz uma mudança importante, possibilitando que o consumidor saiba se o produto que está levando é comprovado em termos de eficiência energética, fator que pode reduzir o valor das contas de luz em casa”, lembra Alexandre. Segundo ele, uma lâmpada fluorescente compacta, que custa em média R$ 8, pode parecer mais cara comparada com uma incandescente (R$ 2 em média). Apesar disso, gera uma economia mensal de R$ 2 na conta de luz. Além disso, o impacto ambiental não é desprezível, dado que 19% do consumo de eletricidade no mundo é direcionado para iluminação e as lâmpadas fluorescentes emitem quantidades muito menores de gases que vão para a atmosfera e contribuem, como conseqüência, com o aquecimento global.

Outros produtos

Não são somente as lâmpadas fluorescentes que podem ajudar a diminuir o valor da conta de luz. Antes de comprar qualquer produto eletroeletrônico para casa é fundamental atentar para o consumo de energia. Primeiramente, o consumidor deve procurar um produto mais adequado às suas necessidades. “Não faz sentido comprar um ar-condicionado superior ao necessário, mesmo que seja eficiente. Da mesma forma, não recomendamos utilizar lâmpadas muito potentes em corredores”, explica Marcos Pó, engenheiro eletricista do Idec.
Em segundo lugar, é importante verificar a qualificação do produto na Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (Ence) e procurar sempre os mais eficientes com o selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), concedido anualmente aos equipamentos que apresentam os melhores índices de eficiência energética, normalmente caracterizados pela faixa “A” da Ence. “Na hora de comprar a geladeira, por exemplo, a economia da categoria A em relação à para C dá para comprar outra geladeira nova em 7 anos”, diz Marcos Pó.
Da mesma forma, para comprar aparelhos movidos a gás – como fornos e fogões – é vantajoso preferir aqueles com o selo do Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural (Conpet), que também premia aparelhos de classificação “A” na Ence.
No caso dos produtos em que o uso da etiqueta não é obrigatório, como chuveiros elétricos e ferros de passar, uma dica é atentar sempre para os dados de potência e consumo de energia que costumam vir na embalagem do produto. Neste caso, quanto mais alta a potência, maior o gasto de eletricidade. “O consumidor não pode considerar o fator potência uma qualidade do produto. Quando o assunto é consumo de energia, a alta potência não é sinônimo de eficiência”, lembra Marcos Pó.
Diferentemente do que ocorre com a Ence, compulsória para diversos eletrodomésticos, a adesão ao Conpet e ao Procel é voluntária. Um alerta ao consumidor: muitos fabricantes não retiram o selo dos produtos vencedores em anos anteriores, por isso é preciso verificar o ano de concessão no próprio selo.

Conheça as diferenças:
Para mais informações sobre o Selo Procel, bem como as tabelas completas dos equipamentos contempladas com o Selo, acesse www.eletrobras.com/procel. Sobre o Conpet, visite a página:www.conpet.gov.br/projetos/pbe_01.php?segmento=corporativo#.

Saiba como economizar mais

Luminárias

Aproveite, sempre que possível, a iluminação natural. Abra janelas e cortinas e use cores claras na pintura do teto e paredes internas, pois elas refletem melhor a luz. Ao sair de um cômodo, não esqueça de desligar as luzes, exceto as que contribuam para a segurança. Prefira lâmpadas fluorescentes compactas ou circulares em locais que fiquem com as luzes acesas mais de quatro horas por dia. São as mais eficientes para a iluminação, reduzem o consumo e duram até dez vezes mais que as lâmpadas incandescentes.
Faça rotineiramente a limpeza da luminárias, globos e arandelas para obter melhor iluminação. Na iluminação externa, utilize sensores de movimento que ligam e desligam as lâmpadas automaticamente.

Geladeira

Não a encoste na parede e instale longe do calor de aquecedores, fogão ou do Sol. Regule a temperatura interna da geladeira, diminuindo o condicionamento no inverno. Não abra a porta à toa ou por tempo prolongado e evite a formação e o acúmulo de gelo – faça o degelo e a limpeza periodicamente e verifique as condições da borracha de vedação da porta da geladeira. Não forre as prateleiras com plásticos, papel alumínio ou materiais que dificultem a circulação interna do ar frio, nem guarde alimentos e líquidos que ainda estiverem quentes. Regule a temperatura interna do refrigerador.

Chuveiro

Seja breve nos banhos – chuveiros usam resistências, que consomem muita energia. Não tente reaproveitar a resistência queimada com emendas, pois, além de aumentar o consumo, existe risco à sua segurança por conta de curto-circuito e fogo. Nos dias quentes, use o chuveiro com a chave na posição ‘verão’ – o consumo de energia é cerca de 30% menor do que na posição ‘inverno’.

Máquinas de lavar

Economize água e energia elétrica lavando, de uma só vez, a quantidade máxima de roupa ou louça indicada pelo fabricante. Espere acumular a louça se houver poucas peças. Limpe o filtro da máquina com freqüência e utilize a dosagem de sabão indicada pelo fabricante, evitando repetir operações de enxágüe.

Não deixe produtos ligados sem necessidade, principalmente aparelhos como ferro de passar e cafeteira, que consomem muita energia.

Desligue da tomada produtos que ficam em standbye.

Nas viagens, é possível pedir que a conta de luz seja suspensa, de acordo com sua necessidade. A suspensão da energia elétrica, fornecida pela Eletropaulo, vale a pena quando a economia nos dias das férias for superior a R$ 21. Isso porque existe uma taxa para o religamento, de R$ 20,61. O cálculo pode ser feito usando a média de consumo da família. Mesmo quando não há consumo, é cobrada uma taxa mínima de R$ 12,30, que equivale a 50 kWh. Saiba mais ligando para a Eletropaulo (0800 72 72 120) e Bandeirante – região de Guarulhos (0800 721 0123.