Lacre na lata de cerveja não evita contaminação

Marcelo Moreira

16 de outubro de 2008 | 17h04

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

Os lacres de latas de cerveja não protegem contra microorganismos e podem facilitar a contaminação. Esse é o resultado de dois laudos periciais que fazem parte de investigação do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro.

Em mais um capítulo da guerra no mercado de cervejas, os laudos técnicos foram apresentados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e realizados por dois laboratórios, que apontam a ineficiência do lacre. Atualmente, as marcas de cerveja Nova Schin, Itaipava e Crystal utilizam o mecanismo de proteção.

O MP já convocou os fabricantes das três marcas a prestar esclarecimentos. “Oferecemos às empresas uma proposta de termo de ajustamento de conduta (TAC). Elas deverão abolir os lacres ou informar ao consumidor da necessidade de lavar a lata”, diz Rodrigo Terra, promotor de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro.

Após denúncia do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), o Ministério Público recebeu, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública do Rio, estudos periciais em que apenas uma em 12 latinhas de cada pacote analisado tinha o selo intacto. O Sindicerv tem como associadas a Ambev, a Cerpa e a Kaiser.

Testes

Foram duas baterias de testes, a primeira realizada pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli e a última pelo Laboratório Central Noel Nutels. “Como o laudo inicial do Instituto de Criminalística apontava a ineficiência do selo, a polícia solicitou outro laudo independente e esse material foi remetido para a Promotoria de Defesa de Consumidor”, explica o promotor Terra.

O segundo teste constatou que, “nas condições usuais de empilhamento e venda, a natureza do material do selo protetor não oferece grande resistência, e ao romper-se expõe o bocal às condições naturais”. Em caso de contaminação, o lacre “dificulta a evaporação mantendo as condições de umidade necessárias ao desenvolvimento de microorganismos”.

Para Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, além de frustrar a expectativa do consumidor, o selo induz a erro. “O consumidor deve ser informado que é necessário limpar a embalagem, tenha lacre ou não,ou ficará exposto ao problema.”

A Schincariol e a Cervejaria Petrópolis (que fabrica a Itaipava e Crystal) alegam que a denúncia é uma manobra comercial do Sindicerv, que representa apenas duas empresas do setor. Procurado, o sindicato informou que as “empresas estão desviando o foco da questão.”

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