Juros mais baixos para o consumidor

Marcelo Moreira

27 de outubro de 2011 | 16h33

Luciele Velluto

As taxas de juros para os consumidores começaram a cair influenciadas pela queda da taxa básica de juros, a Selic. Os dados da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro Nacional apresentada ontem pelo Banco Central mostrou uma redução no custo do crédito para pessoa física de 0,9 ponto porcentual no geral.

“As taxas de juros começaram a dar sinais de diminuição. Quando há a queda da Selic definida pelo Banco Central, o mercado costuma apresentar uma defasagem”, explica o coordenador de Economia do Ibmec, Marcio Salvato.

Os dados da nota são referentes às taxas médias de juros praticadas no mês de setembro pelos bancos e instituições financeiras. Segundo Salvato, as quedas apresentadas têm relação com a redução da Selic de agosto, quando a taxa básica passou de 12,50% ao ano para 12%.

“E ainda devem apresentar mais recuo, já que a Selic caiu mais 0,5 pontos porcentuais em outubro – a taxa básica atual é de 11,50% ao ano”, explica o especialista.

Para o cheque especial, a redução da taxa média de juros foi de 0,8 pontos porcentuais, passando de 187,5% ao ano no mês de agosto para 186,7% em setembro. No crédito para a compra de veículos, o corte da taxa média anual do mercado foi de 0,9 pontos porcentuais, reduzindo de 29,4% ao ano para 28,5%. Na mesma tendência ficou o custo médio do financiamento para aquisição de bens, com redução de 4,9 pontos porcentuais, indo de 55,5% ao ano para 50,6%.

A única modalidade que não baixou foi o crédito pessoal, que subiu 0,1 ponto porcentual na comparação de agosto (49,6%) contra setembro (49,7%).

No entanto, as taxas ainda estão elevadas em comparação ao mesmo mês do ano passado. O cheque especial está com juros 19,5 pontos porcentuais acima da média praticada em setembro do ano passado, o crédito pessoal em 8,1 pontos porcentuais, o financiamento de veículos em 5,2 pontos porcentuais e o crédito para aquisição de bens, 0,5 pontos porcentuais. No geral, a taxa de juros está 4,1 pontos porcentuais mais elevada para a pessoa física.

Na análise de Salvato, os juros ainda devem diminuir, mas dificilmente chegarão ao patamar do ano passado. “Acredito que a Selic ainda caia 0,5 ponto porcentual este ano e um pouco mais no próximo, mas com velocidade menor. Não temos espaço para uma taxa básica como a do ano passado, pois poderemos ter problema com a inflação”, comenta.

Habitação

Em relação ao saldo das operações de crédito, o que mais cresceu em setembro deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado foi a linha para aquisição de imóveis, com alta de 47,3% no volume financiado, segundo o Banco Central.

“O volume de crédito tem aumentado significativamente nos últimos cinco anos. Por mais que seja forte o crescimento, a inadimplência não tem apresentado alta – 6,8% em setembro, mesma variação de agosto – o que tranquiliza o mercado financeiro quanto ao endividamento do consumidor”, explica o coordenador de Ciências Econômicas da Universidade Cruzeiro do Sul, Fernando Dalbão.

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