Juros do crédito pessoal chegam a 115% em um ano

Marcelo Moreira

14 de julho de 2008 | 22h29

MARCOS BURGHI

O consumidor está pagando juros cada vez mais altos. Entre julho de 2007 e julho de 2008 as taxas do empréstimo pessoal subiram até 32,23% chegando a 115,08% ao ano. Os juros do cheque especial também foram para cima, registrando elevações que chegam a 10,83% no mesmo período, atingindo 190,06% ao ano. Isso é o que mostram os levantamentos mensais realizados pela Fundação Procon de São Paulo (Procon-SP).
A maior taxa mensal no empréstimo pessoal detectada nas pesquisas é cobrada pelo Unibanco, 6,59%, o que no ano chega aos 115,08% citados. Já a maior variação nessa operação foi encontrada no Banco do Brasil. Em julho do ano passado, a taxa mensal era de 4,53% enquanto no levantamento deste ano, o índice encontrado foi de 5,99% ao mês, um aumento de 32,23% (veja quadro).
No caso do cheque especial, que também é objeto da pesquisa do Procon-SP, a maior variação comparando-se julho de 2007 com julho de 2008 foi de 10,83%, na Caixa Econômica Federal. A instituição cobrava 7,20% ao mês no ano passado, ante 7,98% mensais este ano.
A segunda maior variação, conforme o Procon-SP, ocorreu no Santander, que elevou a taxa do cheque especial de 8,38% para 9,28%, aumento de 10,74% veja quadro).

Assim como no caso do empréstimo pessoal, o banco que apresentou a maior variação em um ano não é aquele que cobra a taxa mais alta. Pela pesquisa, os maiores porcentuais são cobrados pelo Santander, 9,28%, ao mês ou 190,06% ao ano.
Os valores foram colhidos em 3 de julho de 2007 e 2 de julho deste ano e levam em conta as taxas máximas cobradas de clientes com pouco tempo de relacionamento com a instituição. As taxas de empréstimos são para contratos de 12 meses e do cheque especial, para 30 dias.
Cristina Martinussi, técnica do Procon-SP, acredita que os aumentos verificadas na pesquisa estejam diretamente ligados à elevação da Selic, a taxa básica de juros da economia, que em um ano passou de 11,5% para 12,25%. “Os aumentos chegam logo aos consumidores”, afirma ela.
Para Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), como tem taxas médias menores, o empréstimo pessoal permite maiores elevações. Pelos dados da própria Anefac, apurados em junho, a média mensal do empréstimo pessoal estava em 5,31%, enquanto a do cheque especial bateu nos 7,72%.
Entre os dez bancos pesquisados, só a Nossa Caixa comentou os resultados. A instituição informou que suas taxas estão entre as mais baixas no grupo avaliado: 4,70% no empréstimo pessoal e 8,10% no cheque especial. Procurados, os demais bancos não retornaram ou informaram que não comentariam a pesquisa.
(Colaborou Fabrício de Castro)

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