Juros do consignado voltam ao nível anterior ao início da crise

Marcelo Moreira

01 de agosto de 2009 | 22h41

PRISCILA DADONA – JORNAL DA TARDE

Os juros do crédito consignado, aquele em que o desconto da prestação é feito direto da folha de pagamento do trabalhador ou do benefício do aposentado, estão caindo e voltando ao patamar registrado antes da crise.

Dados do Banco Central mostram que quem tomou um empréstimo em junho pagou 27,9% ao ano, em média – a menor taxa de 2009.

Este também é o menor porcentual desde julho de 2008, antes da crise se intensificar, o que ocorreu em setembro do ano passado. Em novembro de 2008, por exemplo, era de 31% em média, ao ano.

O consignado é considerado o empréstimo pessoal com o menor risco para o banco, pois o trabalhador toma o dinheiro emprestado e a prestação é descontada diretamente do seu salário e repassada à instituição financeira.

Por isso, os juros são menores que os cobrados no crédito pessoal comum, cujas taxas médias anuais giram em torno de 45,6%.

As regras também são diferentes. No consignado não é possível tomar emprestado mais de 30% do salário. “É mais atraente para o trabalhador que pode pegar um empréstimo com juros menores”, diz Alexandre Chaia, do Insper.

No caso dos aposentados e pensionistas do INSS, os juros do consignado são mais baixos e não ultrapassam 2,50% ao mês, em média.

Isso ocorre porque, para a instituição financeira que vai emprestar o dinheiro, o risco de um aposentado não pagar é menor que um funcionário de uma empresa privada, por exemplo.

Números divulgados no site do Ministério da Previdência Social mostram que as taxas variam de acordo com o prazo do pagamento. A média mensal mínima para financiamentos em até 12 meses é 1,69%. Em 36 meses, as taxas menores são de 2,02%.

Com o reaquecimento da economia, os bancos médios – que são os maiores operadores do consignado – voltaram a ter mais recursos em caixa e a concorrência entre as instituições aumentou. “Para atrair mais clientes, os bancos reduziram os juros”, afirma.

O levantamento do BC mostra que as novas concessões do crédito consignado, que na crise perderam ritmo, cresceram este ano. Em janeiro, por exemplo, foram R$ 3,5 bilhões de novos empréstimos totalizando R$ 54,641 bilhões. Em junho, foram concedidos R$ 5,9 bilhões a mais, somando R$ 63,3 bilhões.

Os números incluem os créditos consignados concedidos aos trabalhadores com carteira assinada que trabalham em empresas privadas, públicas e aposentados do INSS.

Os juros mais baixos do crédito consignado atraíram Cláudia Hamamoto, designer de 31 anos. A profissional tomou um empréstimo de R$ 1 mil, há dois meses, para pagar em seis parcelas. Segundo Cláudia, a opção pelo consignado [IP8,0,0]também foi pela comodidade. “Sai direto do salário”, afirma.

Apesar de atraente, é preciso lembrar que um empréstimo implica juros e, por menor que seja, sempre acaba “comendo” parte do rendimento. “Faça as contas dos gastos mensais e veja se a parcela cabe no seu orçamento”, indica Márcio Peppe, sócio da Trevisan BBDO.

Para Peppe, o dinheiro emprestado deve servir para a compra de um bem durável, uma viagem, uma emergência médica ou até para quitar dívidas com juros maiores. “Investir o dinheiro em aplicações arriscadas ou com rentabilidade menor que os juros das prestações é um erro”, ensina o especialista.

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