Juros do cheque especial disparam em agosto

Marcelo Moreira

27 de setembro de 2008 | 00h40

FABRÍCIO DE CASTRO – JORNAL DA TARDE

Os juros do cheque especial, cobrados de pessoas físicas, dispararam em agosto. A taxa média anual chegou a 166,4%, de acordo com relatório divulgado ontem pelo Banco Central. No início do ano, o índice era 20,9 pontos porcentuais mais baixo.

Quem utiliza o crédito pessoal dos bancos também está pagando mais caro. Os juros em agosto atingiram 54,5% ao ano – no mês anterior, a taxa média era de 53,6%. Para o economista Marcos Silvestre, da Mercatus Escola de Negócios, a alta dos juros do cheque especial já é um desdobramento da crise financeira mundial.

“Apesar de os mercados estarem sofrendo nas últimas semanas, a crise vem sendo percebida pelos bancos há tempos. Há um problema de liquidez nos Estados Unidos que se espalha para os outros países”, explica o economista.

Silvestre afirma que os bancos brasileiros ainda não enfrentam dificuldades para captar recursos que, depois, são direcionados para empréstimos. “Mas eles têm negócios em outros países e também sofrem as conseqüências da crise. O aumento dos juros é uma forma de reduzir os empréstimos.”

O economista Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, também enxerga a influência da crise internacional sobre os juros. “A alta das taxas está ligada aos aumentos recentes da Selic a taxa básica de juros da economia) e à crise dos mercados”, afirma. “Os bancos brasileiros estão mais cautelosos.”
Embora o cheque especial tenha apresentado as maiores variações, a tendência é que as outras modalidades de crédito sejam atingidas. “A pior notícia não é que os juros do cheque especial aumentaram. É que isso vai continuar nos próximos meses”, garante Silvestre. “No período que vai de seis meses a dois anos, as taxas vão subir no cheque especial, no cartão de crédito e no empréstimo pessoal.”

Proteja seu bolso

Com os juros mais altos, o consumidor precisa ficar atento para não fazer dívidas. “As taxas do cheque especial são absolutamente proibitivas para todos”, alerta Alcides Leite, da Trevisan. “Quando a pessoa utiliza o limite em caso de emergência, por um ou dois dias, tudo bem. Mas quem usa o cheque todo mês deve buscar, no lugar do especial, um empréstimo pessoal.”

Neste caso, as taxas são mais baixas e o consumidor ganha fôlego para reorganizar as finanças.

Se a pessoa está devendo R$ 1 mil no cheque especial, por exemplo, ela vai pagar cerca de R$ 100 de juros por mês, sem amortizar a dívida. Ao fazer um empréstimo de R$ 1 mil, é possível pagar o cheque especial de uma só vez e parcelar a nova dívida em 12 vezes de R$ 100. “Ocorre uma troca de dívidas”, resume Silvestre.

Os especialistas lembram ainda que os consumidores com reservas financeiras devem usá-las para quitar as pendências. Assim, evita-se que os juros façam as dívidas aumentarem.

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