Juro volta a subir para o consumidor

Marcelo Moreira

16 de maio de 2011 | 16h18

Gisele Tamamar

As taxas de juros das operações de crédito para pessoa física seguem em escalada e registraram a terceira elevação de 2011 no mês passado. Uma pesquisa divulgada ontem pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) mostra que a taxa média que era de 6,78% em março saltou para 6,81% ao mês em abril.

E a expectativa é que esse crescimento persista pelos próximos meses como reflexo das medidas tomadas pelo Banco Central para frear o consumo e reduzir a inflação, como os aumentos consecutivos da taxa básica de juros, a Selic.
O cartão de crédito continua como a linha mais cara oferecida no mercado. A taxa de 10,69% ao mês se manteve inalterada ante o mês anterior, sendo a maior desde junho de 2000, quando estava em 10,7%.

Com o crédito mais caro, o consumidor precisa ficar atento na hora de comprar um produto parcelado ou recorrer a um empréstimo. Na opinião do vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, o problema existe se o consumidor usar mal o crédito. “No caso do cartão de crédito, por exemplo, não há problema comprar no chamado ‘dez vezes sem juros’. O problema é não pagar a fatura total, entrar no crédito rotativo e ficar inadimplente”, diz.

A dica do especialista aos consumidores é pesquisar a melhor linha de crédito em diversas instituições financeiras. “Assim como um produto está mais caro em um supermercado do que no outro, o crédito também tem essas diferenças”, explica Oliveira.

O principal conselho é, sempre que possível, fazer a compra à vista para conseguir desconto no preço. Segundo o professor de administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Adriano Gomes, o consumidor terá mais dificuldade em conseguir um bom desconto nas grandes redes varejistas. Ele conta que isso ocorre porque muitas vezes essas redes elevam sua parcela no lucro com o ganho nos juros cobrados.

“Se a loja se recusar a conceder um desconto, procure outra”, aconselha Gomes. Outra dica é pesquisar preços nas lojas virtuais, sendo que algumas redes concedem desconto de 10% no pagamento à vista no boleto.

A compra na internet faz parte dos planos da auxiliar administrativa Mayara Ribeiro Canoto, de 22 anos, que utiliza o cartão de crédito para compras mais caras. “Quero comprar uma televisão, mas no máximo em três, quatro parcelas. Sempre busco uma opção sem juros”, conta.

A dona de casa Maria Aparecida Cosme, de 65, sempre procura comprar à vista. Uma das exceções foi a aquisição de um automóvel. A entrada foi paga com o veículo antigo mais uma parte em dinheiro. O restante foi parcelado em 24 vezes, na opção sem juros. “Se não pudesse fazer sem juros não teria comprado o carro.”