Juro do seguro de carro não cai há seis anos

Os juros dos seguros de veículos pagos parceladamente por boleto bancário não acompanharam o movimento de redução das taxas ocorridas em outros produtos da economia, e permaneceram estáveis nos últimos seis anos

Marcelo Moreira

01 de setembro de 2010 | 14h00

Marcos Burghi

Os juros dos seguros de veículos pagos parceladamente por boleto bancário não acompanharam o movimento de redução das taxas ocorridas em outros produtos da economia, e permaneceram estáveis nos últimos seis anos. A conclusão é de estudo realizado pelo Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado de São Paulo (Sincor-SP) que verificou as taxas cobradas por dez seguradoras.

Gerlando Lima, coordenador do curso de contabilidade da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), afirma que a estabilidade se deve ao aumento da procura pelo produto como decorrência da estabilidade econômica do País. “Quanto mais parcelas, mais juros”, lembra Lima.

De acordo com o coordenador da FEA, esta forma de pagamento dá menos segurança de recebimento por parte das seguradoras que os débitos quitados por cartão de crédito, débito em conta ou pagamento à vista. “Isso aumenta o risco e impede a queda de juros”, afirma. Lima acredita que haverá ajustes para baixo nos preços, em função da concorrência, mas os juros devem se manter nos patamares atuais.

Segundo José Roberto Kassai, professor e especialista em contabilidade da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), as taxas de juros cobradas nos parcelamentos de seguros mantiveram-se nos mesmos patamares dos últimos anos em decorrência da própria estabilização da economia brasileira e, também, “da inércia das seguradoras brasileiras que não ajustaram a parcela de risco embutido na modalidade boleto bancário”.

Na opinião de Kassai, as taxas cobradas atualmente, em torno de 80% ao ano, são “absurdamente altas, incompatíveis com a realidade brasileira”.

No período analisado pelo Sincor-SP, entre 2004 e 2010, a taxa básica que serve de balizamento para os juros da economia brasileira, a Selic, caiu de 16,5% ao ano para 10,75% ao ano. Em termos mensais, a Selic caiu de 1,3%, em janeiro de 2004, para 0,87% hoje.

Mário Sérgio Santos, presidente do Sincor-SP, acredita que só os consumidores podem fazer com que as taxas caiam. “É preciso pesquisar e negociar”, diz.

O locutor Magno Rodrigues, 23 anos, fez um seguro para seu automóvel em 2009 e este ano trocou a forma de pagamento por boleto bancário. A troca, afirma, ocorreu porque ele acredita que, com o boleto, ele tem mais controle sobre os pagamentos. A Porto Seguro informou, em nota, que “para todas as formas de pagamento existe a condição de 4 vezes sem juros”.

Em nota, a Tokio Marine também observou a possibilidade de parcelamento em até quatro parcelas, sem juros.[As demais companhias analisadas não atenderam à reportagem.

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