Juro do cheque especial sobe para 159,1%

Marcelo Moreira

29 Julho 2008 | 22h16

Alerta para quem costuma entrar no cheque especial: os juros para essa modalidade de crédito subiram 2 pontos porcentuais em junho – passando de 157,1% ao ano (em maio) para 159,1% ao ano – e atingiram o maior patamar para a taxa, desde agosto de 2003, quando chegou a 163,9%. Isso é o que mostra a pesquisa mensal de juros realizada pelo Banco Central (BC) que foi divulgada ontem.

Os juros também ficaram mais altos para quem utiliza o crédito pessoal. A taxa média passou de 48,4% ao ano em maio para 51,4% em junho – um aumento de 6,19%. A elevação também ocorreu para as linhas de crédito para aquisição de veículos, que subiu 1,63% no mês passado.

Mas, mesmo com a elevação das taxas de juros – impulsionada pela alta de um ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) neste ano –, o volume de empréstimos não caiu. No mês passado foram emprestados, somente para as pessoas físicas, R$ 263,4 milhões – 0,7% a mais que maio, quando o volume atingiu R$ 261,7 milhões. Na comparação com junho do ano passado, o crescimento foi 21,2% maior que o volume de R$ 217,3 milhões emprestados.

Porém, quando comparado com os empréstimos para pessoa jurídica (alta de 3,3% em junho ante maio), o ritmo de crescimento foi menor.
“Se o objetivo do Banco Central para a conter a inflação foi elevar os juros para reduzir o crédito, tal objetivo até agora não surtiu efeito, pois o crédito continua forte”, afirma o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira.

Para ele, a elevação do crédito ocorre porque o consumidor continua acreditando que não perderá o emprego e também porque encontra prazos de financiamentos elevados, possibilitando prestações baixas, o que o motiva a se endividar. “A tendência para as taxas de juros é que continuem crescendo. Mas, para o consumidor, o prazo dos financiamentos é mais importante do que os juros.”, diz Oliveira.