Jovem desconhece o cadastro positivo

Marcelo Moreira

05 de setembro de 2011 | 16h33

Lígia Tuon

O cadastro positivo foi sancionado há pouco mais de dois meses pela presidente Dilma Rousseff, mas a população ainda tem pouco conhecimento sobre essa relação de bons pagadores. Pesquisa realizada pela Boa Vista Serviços, braço de análise de crédito da Associação Comercial de São Paulo, mostra que a falta de informação é pior entre os jovens.

Entre as pessoas de 16 e 17 anos, apenas 10% já tinham ouvido falar da medida e os de 18 a 24 anos, 13%. Ou seja, é justamente a parcela da população que tem mais dificuldade de organizar as finanças pessoais que não tem conhecimento da medida que pode deixar o crédito mais barato para bons pagadores.

“Se o cliente tem um histórico de bom pagador, os bancos podem até oferecer linhas de crédito diferenciadas”, afirma o presidente da Boa Vista Serviços, Dorival Dourado.

No entanto, para isso ocorrer, ele destaca que mais pessoas devem utilizar o cadastro, de forma que o mercado amadureça essa ideia. “Deve demorar entre dois a três anos até que o mercado absorva esse modelo de tomada de decisão”, diz Dourado.

No caso dos jovens, a necessidade de entender os benefícios da medida é ainda mais importante. “Esse pessoal está chegando nas faculdades agora e os bancos oferecem as contas universitárias. Como, de uma forma geral, ainda não existe muita maturidade financeira, eles podem acabar se endividando mais”, aponta Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper. Nesses casos, o cadastro positivo funcionaria como um termômetro, para trazer um controle maior das finanças.

Além disso, Dourado vê a medida como um exercício do direito de cidadania, já que a pessoa tem de autorizar seu cadastro. “É a primeira vez que o consumidor está sob controle da situação”, afirma.

Já existe no mercado uma forma de registrar os ‘maus pagadores’. “A mudança é justamente poder mapear o histórico do bom pagador também”, explica o professor Keyler Carvalho Rocha, do Laboratório de Finanças da FIA.

E já que as informações positivas reunidas poderão ter uma análise maior dos riscos, além dos juros reduzidos, o consumidor poderá também se beneficiar com um aumento da oferta de crédito.

Para integrar a relação de bons pagadores, o consumidor pode se cadastrar nas empresas chamadas de bureau de crédito, como a Boa Vista Serviços (no www.apoioaoconsumidor.com.br) ou na Serasa. “A pessoa deve escrever alguns dados cadastrais e autorizar o procedimento. Desta forma, poderá ser consultada por bancos e lojas”, diz Dourado.

Mais conteúdo sobre:

cadastro positivo