Jogar computador fora? Tarefa difícil

O consumidor que tentar descobrir onde descartar seu computador usado vai sofrer para encontrar uma resposta. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) se colocou na pele do cliente e questionou 13 fabricantes de notebooks para saber o que fazer para dar o destino certo ao produto fora de uso

Marcelo Moreira

26 de agosto de 2010 | 08h45

Carolina Dall’Olio

O consumidor que tentar descobrir onde descartar seu computador usado vai sofrer para encontrar uma resposta. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) se colocou na pele do cliente e questionou 13 fabricantes de notebooks para saber o que fazer para dar o destino certo ao produto fora de uso. Resultado: 12 delas não foram capazes de orientar seus compradores.

Foram avaliadas as seguintes marcas: Apple, CCE, Dell, HP, Intelbras, Itautec, Lenovo, LG, Philco/Britânia, Positivo, Samsung, Semp Toshiba e Sony. O objetivo do estudo foi verificar se as empresas divulgam sua política ambiental e instruem o consumidor sobre como direcionar corretamente seu lixo eletrônico.

Para tanto, o Idec contatou os Serviços de Atendimento ao Consumidor (SACs) e visitou os sites institucionais. Além disso, enviou um questionário às empresas. Ao final de todo o trabalho, o órgão constatou que apenas a Itautec oferece um serviço considerado satisfatório.

Durante o levantamento, os atendentes dos SACs se mostraram despreparados, pois não souberam dar informações básicas sobre o assunto. Os sites, na avaliação do Idec, também não foram eficientes na tarefa de informar o consumidor.

Encontrar dados sobre a reutilização ou reciclagem dos produtos é tarefa difícil em boa parte deles – e impossível no caso das marcas Semp Toshiba, Samsung, Positivo e Philco/Britânia. Por fim, só cinco das 13 empresas responderam ao questionário do Idec.

“O levantamento mostra que as empresas ainda não estão preparadas para cumprir um dos princípios básicos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada neste mês, que é o descarte de produtos eletroeletrônicos”, afirma Mariana Ferraz, advogada responsável pela pesquisa.

Pela lei, o setor empresarial fará a coleta, reciclagem e destinação dos resíduos domiciliares (papel, vidro, plástico, metal), o que é chamado de logística reversa. Embora já esteja vigorando, a PNRS ainda carece de regulamentação. Mariana observa, entretanto, que o direito à informação é garantido pelo Código de Defesa do Consumidor.

Por isso, mesmo que a política pública para o descarte dos produtos não esteja regulamentada e por enquanto ninguém possa ser multado pelo descumprimento da regra, a informação sobre a orientação ambiental de cada empresa já deveria estar disponível nos canais de atendimento dos fabricantes. É papel do consumidor exigir orientação.

Ainda mais em épocas de forte consumo de eletroeletrônicos. A venda de computadores cresceu 23% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009. Foram 2,89 milhões de produtos comercializados – no varejo, os notebooks já correspondem a 52% dos artigos vendidos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Mas se as empresas ainda não estão fazendo a sua parte, isso não deve servir de desculpa para que o consumidor simplesmente jogue seu eletrônico usado no lixo.

Até porque a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece responsabilidades compartilhadas – entre governo, consumidores e empresas. Uma boa dica, portanto é o site www.e-lixo.org. Lá, basta que o cidadão digite seu CEP para descobrir qual é o ponto de coleta mais próximo.

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