Isqueiros perigosos na mira do Ipem

Marcelo Moreira

19 de novembro de 2008 | 17h23

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

Um perigo que está no bolso dos fumantes, além dos próprios cigarros. O alerta é do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-SP), que realizou ontem, 18 de novembro, uma fiscalização sobre a venda de isqueiros piratas em São Paulo. À primeira vista inofensivos, esses produtos sem qualidade podem explodir e causar queimaduras graves.

E o pior: os isqueiros piratas são vendidos com muita facilidade nas ruas. O Ipem apreendeu na blitz cerca de 29 mil produtos ilegais na região da rua 25 de Março, no Centro.

A operação ocorreu após uma série de denúncias de que estabelecimentos da região estavam comercializando isqueiros sem o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

Segundo o diretor do departamento metrologia legal e qualidade do Ipem-SP, Antonio Cortazzo, comprar isqueiro pirata economiza alguns centavos, mas coloca a vida em risco.

“Isqueiro é algo sério e os não certificados pelo Inmetro usam qualquer tipo de gás, principalmente o de cozinha, que é altamente inflamável e explosivo. Além disso, o material utilizado é de menor qualidade e não há sistema de travamento. Em alguns casos, aproximá-lo do fogão ou até do calor do porta-luvas do carro num dia quente pode fazer o isqueiro explodir”, afirma Cortazzo.


Fiscal do Ipem apreende isqueiros piratas em loja da galeria Pagé, na região da rua 25 de Março (FOTO: PATRICIA SANTOS/AE)

Em setembro deste ano, uma jovem de 17 anos teve 50% de seu corpo queimado ao usar um isqueiro pirata para acender um cigarro, em Niterói, no Rio de Janeiro. O isqueiro explodiu, incendiando a roupa da garota e causando queimaduras de segundo e terceiros graus no tórax, abdômen e coxas.

Na fiscalização de ontem, a maioria dos produtos apreendidos funcionava com gás e foi encontrada em uma loja na galeria Pajé. “A quantidade equivale a 8 ou 9 botijões de gás, o que representa um perigo imenso. O fluxo de pessoas na galeria somado à quantidade de isqueiros poderia causar uma tragédia”, explica Cortazzo.

As lojas serão notificadas e convidadas a apresentar defesa e nota fiscal dos produtos em 30 dias. Caso contrário, podem ser autuadas e sofre multa que varia de R$100 a R$50 mil.

O consumidor que encontrar isqueiro pirata ou irregular pode denunciar para o Ipem-SP. O telefone de contato é 0800-0130522 e a ligação é gratuita.

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