Instituto entra com representação contra publicidade da Mattel

Marcelo Moreira

26 de agosto de 2008 | 21h23

DO ESTADÃO.COM.BR

O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, entrou com uma representação no Ministério Público Estadual de São Paulo contra a fabricante de brinquedos Mattel, pedindo a retirada de todos os filmes publicitários veiculados na TV e a reformulação do site na internet relacionado à linha de bonecas Barbie. A Mattel enfrentou nos últimos meses alguns problemas com órgãos de Defesa do Consumidor por repetidos recalls de seus produtos.

O Instituto alega que ambos são dirigidos ao público infantil e estimulam brincadeiras baseadas no ato de consumir diversos bens, além de instigar a erotização precoce, adiantando fases da vida adulta.

Ainda segundo a entidade, os filmes da linha Barbie, veiculados em canais voltados ao público infantil, apresentam bonecas e meninas, com conceitos que instigariam o consumismo: “Sempre na moda… Seja quem você quiser” e “Você é Barbie girl… – Bonecas Barbie Fashion Fever”.

Nas peças, as crianças aparecem como se fossem modelos, em meio a um clima de fantasia, diversão e glamour, informa o Projeto Criança e Consumo.

Já o site http://br.barbie.com/, todo em cor-de-rosa, é repleto de jogos, brincadeiras e acessos interativos que, de acordo com o Projeto Criança e Consumo, induzem ao consumismo infantil.

Além disso, frases como “Lista de desejos”, “Só a Barbie Girl libera mais do que eu quero ser” e “Um mundo virtual com muita moda, música e diversão” são amplamente repetidas, o que, de acordo com o Instituto, também reforçam esses conceitos.

Outra afirmação da equipe do Projeto Criança e Consumo é de que as seções do site destinadas a informes publicitários não esclarecem essa informação. Mesmo com o aviso, a maioria das crianças pode entender o espaço como algo lúdico, voltado para jogos e brincadeiras, e não como publicidade.

Procurada, a Mattel informou em nota que “os anúncios da Mattel são tradicionais e há anos veiculados na mídia em geral, sempre atendendo à ética publicitária. A Mattel, como um dos principais anunciantes do setor de brinquedos no Brasil, sempre respeitou a legislação brasileira e continuará avaliando as recomendações que o CONAR fizer às suas propagandas, garantindo sempre a ética, a qualidade e a verdade de seus comerciais.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.