Inadimplência da pessoa física bate recorde histórico em maio

Marcelo Moreira

25 de junho de 2009 | 16h34

FERNANDO NAKAGAWA E CÉLIA FROUFE – AGÊNCIA ESTADO

A taxa de inadimplência entre as pessoas físicas atingiu em maio o maior nível da série histórica, iniciada em junho de 2000, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira, 25, pelo Banco Central.

A taxa ficou em 8,6% no mês passado, ante 8,4% em abril. Em maio de 2008, a inadimplência na pessoa física era de 7,4%.

O aumento dos atrasos nos pagamentos aconteceu também no segmento de crédito, para as pessoas jurídicas.

Nos financiamentos às empresas, a parcela das operações com atraso superior a 90 dias chegou a 3,2% em maio, o maior nível desde maio de 2001, quando estava em 4,2%. Em abril de 2009, o índice estava em 2,9% e em maio do ano passado, em 1,8%.

Com a alta nos dois segmentos, a inadimplência média no crédito com recursos livres de direcionamento atingiu em maio 5,5% das operações, o maior patamar desde setembro de 2000, quando o índice estava em 5,7%.

No último mês de abril o porcentual de inadimplência no crédito livre tinha sido de 5,2%. Em maio de 2008, a taxa estava em 4,3%.

Na avaliação do chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, o aumento da inadimplência em maio refletiu uma “parada brusca” nas fontes de financiamento. “Muitas empresas e famílias não têm como rolar a dívida e isso leva a uma inadimplência maior”, comentou.

A falta de recursos foi fruto da crise financeira internacional, que teve seu auge em setembro do ano passado. Quando isso ocorreu, os bancos passaram a ser mais seletivos na oferta de recursos, o que trouxe dificuldades para o tomador.

Assim, o consumidor deixou de ter à disposição crédito mais barato, como o consignado e o direto ao consumidor, e teve que adotar linhas mais caras, como a do cheque especial.

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