Inadimplência cresce 15,3% em setembro

Empregados e com renda maior, o brasileiro vai às compras e, consequentemente, pega mais dinheiro emprestado. Porém, o período de consumo desenfreado reverteu-se em problema para muitas pessoas, que não têm como pagar as dívidas

Marcelo Moreira

17 de outubro de 2010 | 15h17

Gisele Tamamar

Empregados e com renda maior, o brasileiro vai às compras e, consequentemente, pega mais dinheiro emprestado. Porém, o período de consumo desenfreado reverteu-se em problema para muitas pessoas, que não têm como pagar as dívidas. Resultado: a inadimplência em setembro cresceu 15,3% em comparação com o mesmo mês de 2009, aponta o Indicador Serasa Experian.

É a maior taxa registrada pelo índice desde março de 2009 e representa a variação das dívidas não pagas registradas no banco de dados da Serasa. A explicação para a alta expressiva está relacionado ao momento econômico nos períodos comparados.

Na visão do professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fabio Gallo Garcia, no segundo semestre do último ano, o País se recuperava da crise financeira e os brasileiros começavam a gastar. “Já em 2010, temos um cenário de baixo desemprego, inflação relativamente controlada, aumento do crédito e da renda. Com isso, o consumidor está consumindo mais e tomando mais crédito”, justifica Garcia.

A situação é refletida nos indicadores de inadimplência na comparação mensal em 2010. Setembro teve expansão de 1,6% ante o mês anterior. Esta foi a quinta alta seguida e a maior para um mês de setembro desde 2000, ano em que foi criado o índice da Serasa.

A expansão da taxa foi puxada pela inadimplência com cartões de crédito e financeiras. O setor contabilizou uma alta de 7,2%, pelo sétimo mês consecutivo. “Nos últimos anos temos observado a troca do cheque pelo cartão de crédito. Enquanto o primeiro é mais restrito e menos aceito, o segundo é caracterizado pela facilidade para o consumo”, destaca Garcia.

O assessor econômico da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida, pontua que a inadimplência segue ganhando força na mesma direção do endividamento. “No entanto, a evolução da renda e do emprego formal tem ajudado a evitar um crescimento acelerado do índice”, observa.

Quando avaliamos o valor das dívidas, a maior alta foi constatada nos cheques sem fundos. Na comparação do valor médio entre janeiro a setembro de 2010 e o mesmo período de 2009, o salto foi de 29,1%, quando passou de R$ 963,98 para R$ 1.244,34.

Para o professor da FGV, o fato está relacionado ao nível de renda. “Como os brasileiros estão com uma renda maior, eles acabam devendo valores maiores. E nas poucas vezes que recorrem ao cheque, utilizam para compras mais caras”, alega o especialista.

Pelo menos em outubro, o índice de inadimplência deve continuar em alta influenciado pelo Dia da Criança, a melhor data comemorativa para o comércio em 2010 até agora, com aumento de 12% nas vendas em comparação com 2009.

“O Dia da Criança é o termômetro do varejo para o Natal. Por isso, devemos ter um bom fim de ano”, prevê Almeida.
Já em dezembro, com a entrada do dinheiro do 13º salário, a tendência é que a inadimplência caia porque muitos consumidores aproveitam para limpar o nome para fazer as compras de Natal.

“Com o recorde de empregos formais, mais pessoas vão receber o 13º, o que pode amenizar as dívidas. O aumento da inadimplência vai depender da decisão do consumidor. Se ele dará prioridade ao pagamento das dívidas ou para novas compras”, explica o assessor econômico.

O conselho dos especialistas é não comprometer o orçamento com novas dívidas em dezembro e não se esquecer das despesas do começo do ano, como impostos e matrícula escolar.

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